Jules Michelet

Historiador francês, professor na École Normale, na Sorbonne e no Collège de France, foi autor de Histoire de la Révolution Française (1847-1853) e Histoire de France (1833-1867). Nessas obras maiores da historiografia romântica, assim como em L'Oiseau (1856), L'Insecte (1857), L'Amour (1858), La Femme (1859) e La Sorcière (1862), entre outras, Michelet combina a exigência científica do estudo da História com a visão apaixonada dos acontecimentos, marcada pela imaginação poética e pelo estilo vibrante, deixando transparecer as suas convicções democráticas e populistas. A conceção da libertação progressiva da humanidade ao longo da História, elaborada por Michelet (que começa a ser traduzido e divulgado em Portugal na década de sessenta) a partir de leituras de Vico e Herder, influenciaria de forma determinante a Geração Coimbrã, depois Geração de 70, marcando a poesia das Odes Modernas (1865), de Antero de Quental,e sendo um dos autores citados na "Nota (sobre a missão revolucionária da poesia)" e na "Carta autobiográfica dirigida ao Professor Wilhelm Storck" (1887), onde Antero aponta as suas grandes influências. As teses de Michelet manifestam-se igualmente nas coletâneas de poesia filosófica de Teófilo Braga, Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras (1864), sendo ele um dos autores convocados na "Generalização da história da poesia" apensa à primeira, e nos livros do seu amigo e discípulo Teixeira Bastos, Rumores Vulcânicos (1879) e Vibrações do Século (1882). Também a historiografia de Oliveira Martins denota a marca de Michelet, desde o estudo Os Lusíadas "Ensaio sobre Camões e a sua Obra"(1872; 2ª ed., 1891).
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