Laurence Olivier

Ator, realizador e produtor inglês, nasceu a 22 de maio de 1907, no Surrey, e morreu a 11 de julho de 1989, perto de Londres. Filho de um severo pastor anglicano, desde cedo nutriu um desmesurado amor pelo teatro, demonstrando uma ávida paixão pelas peças de William Shakespeare que devorava ardentemente, apesar da oposição do pai. Aos 10 anos, já interpretava o autor britânico nos palcos da sua escola, impressionando os seus professores com o seu Brutus de Júlio César. Aos 15 anos já recitava em Stratford-Upon-Avon, terra natal de Shakespeare. Abandonou a Universidade de Oxford para se dedicar a tempo inteiro às lides dramáticas. Chegou a Londres em 1926, profissionalizando-se como ator na West End. Estreou-se em cinema numa obscura coprodução anglo-germânica: The Temporary Widow (1930). Em 1930, é convidado para ingressar na Broadway. Em breve tornou-se numa das maiores referências do teatro shakesperiano juntamente com John Gielgud e Ralph Richardson. Hollywood demorou em reparar no seu potencial. William Wyler reconheceu nele qualidades para interpretar o tormentado Heathcliff em Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais, 1939), uma adaptação do romance de Emily Brontë. O público cinematográfico rendeu-se ao talento de Olivier, nomeado por esse trabalho para o Óscar de Melhor Ator. Repetiu no ano seguinte em Rebecca (1940) pela sua interpretação de George de Winter, um milionário atormentado pelo fantasma da sua falecida mulher. Em 1940, casou-se com Vivien Leigh com quem viveria um mediático idílio até ao divórcio causado pelas sucessivas infidelidades da atriz. Em 1941, regressou à Grã-Bretanha para servir no exército aliado durante a Segunda Grande Guerra. Fez uma pausa para assumir a direção do Old Vic e para produzir, realizar e protagonizar Henry V (Henrique V, 1944), a sua primeira adaptação cinematográfica duma peça de Shakespeare. Hollywood ficou impressionado com o seu esforço e conferiu-lhe um Óscar especial. A sua consagração como ator surgiu com Hamlet (1948). A sua personificação do príncipe da Dinamarca valeu-lhe o Óscar de Melhor Ator e a fita foi agraciada com o Óscar para Melhor Filme. No ano anterior fora agraciado com o título de Sir pelo seu contributo para a dignificação do teatro britânico. Na década seguinte, somou alguns fracassos artísticos, o maior do qual, sem dúvida, The Prince and the Showgirl (O Príncipe e a Corista, 1957), que apesar da presença de Marilyn Monroe foi muito mal recebido pelo público que dois anos antes havia aplaudido o seu Richard III (Ricardo III, 1955) pelo qual fora nomeado para o Óscar de Melhor Ator. Reencontra-se com os êxitos em Spartacus (1960), onde desempenhou magistralmente o implacável general romano Crassus. No mesmo ano, arrancou uma das melhores interpretações da sua carreira, nomeado para Óscar por The Entertainer (O Comediante, 1960), uma adaptação da peça de John Osborne sobre um artista de vaudeville que arruina a vida dos que lhe estão próximos. Durante as rodagens, apaixonou-se pela atriz Joan Plowright com quem viria a casar no ano seguinte. Em 1963, é nomeado diretor do Teatro Nacional de Inglaterra. Voltou a maravilhar os seus fãs com Othello (1965) e Sleuth (Autópsia de um Crime, 1972), obtendo mais duas nomeações para o Óscar de Melhor Ator. Em 1973, uma doença degenerativa do foro muscular obrigou-o a abandonar os palcos. Decide trabalhar em ritmo acelerado em cinema, aceitando toda a espécie de papéis, mesmo em filmes de qualidade medíocre. Apesar de The Marathon Man (O Homem da Maratona, 1976) pretender inicialmente ser um veículo de consagração do protagonista Dustin Hoffman, as melhores cenas do filme são de Olivier, assombroso na composição de Christian Szell, um velho dentista nazi que viaja para a América para se apoderar do ouro que havia roubado aos judeus nos campos de concentração. Em 1978, voltou a ser magistral em The Boys From Brazil (Os Comandos da Morte, 1978), desta vez na pele de Ezra Lieberman, um judeu caçador de nazis. Nos seus últimos anos, trabalhou bastante para televisão, destacando-se as suas composições de Nicodemo em Jesus of Nazareth (Jesus da Nazaré, 1977), Lord Marchmain em Brideshead Revisited (Reviver o Passado em Brideshead, 1981), Pfeufer em Wagner (1983) e o rei Guilherme III de Orange em Peter the Great (Pedro, o Grande, 1986).
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