Lucio Fontana

Pintor italiano, Lucio Fontana nasceu em 1899, em Rosário de Santa Fé, Argentina. O seu pai era italiano e emigrou no final do século XIX para a Argentina, onde trabalhou como escultor. Em 1905, Fontana viajou para Milão e estudou no instituto Carlo Cattaneo, entre 1914 e 1917, frequentando depois a Academia de Brera (1920-1922).
Em meados da década de 20, o artista regressou à Argentina e decidiu dedicar-se à escultura, manifestando tendências cubistas. Em 1928, voltou a Milão e gradualmente vai abandonando a figuração em favor de uma escultura abstrata. Foi cofundador do grupo de abstratos italianos em 1930 e, cinco anos depois, estando já instalado em Paris, aderiu ao movimento Abstração-Criação. Nesta cidade conheceu os artistas Joan Miró e Constantin Brancusi.
Em 1939, com o eclodir da Segunda Guerra Mundial, refugiou-se em Buenos Aires e, em 1946, redigiu o Manifesto Branco, através do qual defende uma arte dinâmica, em aproximação às teorizações do Movimento Futurista. Os trabalhos em estilo geométrico que executou neste período denunciam a influência também da Pintura Metafísica italiana. Em 1947, voltou a Milão e publicou o Manifesto Espacial que proclama uma forma de arte que dilua a corrente separação entre a pintura e a escultura. Este manifesto marca o início do Espacialismo, de que Fontana constituiu o expoente máximo. Nos finais da década de 40, realizou um conjunto de experiências abstratas que tinham como suporte o papel e que consistiam na perfuração das folhas. Estes trabalhos foram percursores dos seus quadros mais famosos nos quais o artista realizou cortes na própria tela. A partir desta altura, o corte e a perfuração tornam-se temas recorrentes na pintura fortemente objectual e geralmente monócroma de Fontana. Estes cortes constituem signos improvisados que conferem à superfície das pinturas qualidades plásticas e físicas e simultaneamente introduzem uma inovadora dimensão espacial.
Dois dos seus trabalhos paradigmáticos são os quadros "Conceito Espacial", realizado em 1962 - um retângulo azul, uniforme, no qual foram produzidos cortes verticais que, pelo tensionamento da tela, possibilitam a observação do espaço atrás - e "The End of God", de 1963, que tem a forma de ovoide e apresenta uma superfície uniforme cor-de-rosa que exibe um conjunto de furos e cortes.
A obra do período de maturidade de Fontana, pela recusa da abstração lírica e emotiva e pela evidente racionalidade e cerebralidade das soluções estéticas, torna-se precursora de muitos dos movimentos artísticos desenvolvidos durante as décadas de 60 e 70, como o Minimalismo e a Arte Conceptual.
Lucio Fontana morreu em 1968, em Varese.
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