Lyon I

Décimo terceiro concílio ecuménico, reunido em Lyon, França, no ano de 1245. Idealizado em 1240 pelo papa Gregório IX, este concílio, previsto inicialmente para Roma, acabou por ser convocado e dirigido pelo papa Inocêncio IV. Reinava em França S. Luís (IX), que apoiou a realização do conclave no seu reino, numa cidade segura e de acesso fácil, Lyon, importante desde a época romana (Lugdunum). Do Oriente vieram os patriarcas de Constantinopla, Antioquia e Aquileia (Veneza), para além de mais de 140 bispos de toda a Europa, do próprio S. Luís, rei de França, e de Balduíno II, imperador do Oriente. Não foi no entanto dos mais participados, dados os condicionalismos vigentes, que tinham nas pretensões germânicas sobre a Itália um dos maiores problemas na Europa. Inocêncio IV proclamou na abertura cinco preocupações da Igreja a discutir no concílio:
- a má conduta dos prelados e fiéis
- os avanços e ameaças dos Muçulmanos no Oriente e no Norte de África - o Cisma do Oriente, ou questão grega
- os abusos dos Tártaros na Hungria e as ameaças dos Mongóis ao Ocidente
- as pretensões do imperador germânico Frederico II à Itália.
As ameaças deste imperador aos feudos papais na Itália e a outros senhorios laicos dessa península tornaram-se no centro dos debates e trabalhos deste concílio. Convocou-se o imperador, que não veio, tratando logo Inocêncio IV de o condenar e ameaçar de deposição. Chegou-se a temer a invasão de Lyon pelo imperador, contra o qual o papa chegou a mobilizar armas, mas houve resistências entre alguns conciliares, que tentaram mitigar as tensões entre o papa e o imperador. Este foi mesmo excomungado pelo papa.
Entretanto, o concílio idealizou, apoiado por S. Luís, uma nova cruzada, que tentasse recuperar a Palestina aos Muçulmanos do Egito. Esta cruzada, a sétima, que tinha já começado antes do concílio mas que nele recebeu uma forte revitalização, traduziu-se em mais um fracasso das armas cristãs. Com efeito, o próprio S. Luís, rei de França, acabou aprisionado no Egito, em Mansurah, às mãos dos Muçulmanos, deitando por terra qualquer retoma da Terra Santa.
Lyon I foi ainda uma das últimas tentativas de aproximar mais a Cristandade oriental do Ocidente, como se viu nas definições teológicas e rituais (para os Gregos, essencialmente) acerca dos Sacramentos, da legitimidade das segundas núpcias, do Purgatório, do Paraíso e do Inferno, entre outros pontos que estavam em discórdia entre Gregos e Latinos e que neste concílio registaram alguns avanços para uma unificação. Mas no regresso dos representantes orientais às suas dioceses e prelaturas, foram criticados e acusados de traição no Oriente, não se respeitando assim a tendência de união relançada em Lyon I, embora alguns grupos de cristãos do leste da Europa tenham mantido a fidelidade a Roma (daí se chamarem de "Uniatas").
O uso obrigatório do barrete vermelho pelos cardeais foi promulgado em Lyon I, que aprovou a Regra da Ordem de Grandmont e obrigou os Cistercienses a pagar dízimos. Todavia, não foi um concílio de grandes decisões e avanços, impondo-se a necessidade de se realizar um em breve espaço de tempo, que acabaria por ser novamente em Lyon, em 1274.
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