Madagáscar

Geografia
País da África Austral, a República de Madagáscar é a quarta maior ilha do Mundo (caso se considere a Austrália como tal). Possui uma área total de 587 040 km2, contando com as pequenas ilhas adjacentes. As principais cidades são Antananarivo, a capital, com 1 250 700 habitantes (2004), Toamasina (201 500 hab.), Antsirabe (180 500 hab.), Mahajanga (152 700 hab.) e Fianarantsoa (162 300 hab.).
Sob o ponto de vista do relevo, Madagáscar divide-se em três áreas: o planalto central, a estreita costa oriental e os baixos planaltos e planícies da costa ocidental. Outrora coberta por extensa e densa floresta, Madagáscar tem hoje a sua área florestal reduzida a 1/4 do território.

Clima
O clima de Madagáscar varia do tropical húmido de tipo "monção" na costa leste, ao temperado pela altitude no planalto central, sendo a costa oeste sujeita a duas épocas: uma seca e fresca, na qual as temperaturas mais baixas se verificam no mês de julho, e outra quente e húmida, em que as temperaturas mais elevadas se registam no mês de dezembro. É de salientar também que, entre os meses de dezembro a março, a costa oriental está sujeita à passagem de ciclones tropicais com origem no oceano Índico, trazendo consigo chuvas torrenciais e cheias devastadoras.

Economia
A economia assenta essencialmente na agricultura e na criação de gado. Embora o arroz seja a principal cultura, é o café que representa a maior fatia ao nível da exportação. Destacam-se outras culturas, como a da cana-de-açúcar, da mandioca e de frutos como a banana, a maçã, o ananás ou a laranja. É abundante a criação de ovelhas, cabras, galinhas e porcos.
A indústria mineira está pouco desenvolvida, sobretudo por causa dos escassos recursos minerais, havendo a destacar, apenas, os depósitos de titânio, considerados os maiores do Mundo. Em relação à indústria de manufaturas, ela incide, sobretudo, no tratamento do arroz, da madeira e do papel.
Os principais parceiros comerciais de Madagáscar são a França, o Japão, a Alemanha e o Irão.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 0,1.

População
Em 2006 tinha uma população de 18 595 469 habitantes a que corresponde uma densidade populacional de 30,73 habitantes por km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 41,41%o e 11,11%o. A esperança média de vida é de 57,34 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,468 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,467 (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 32 966 000 habitantes. Os principais grupos étnicos malgaxes são os Merina (27%), os Betsimisaraka (15%), os Betsileo (12%), os Tsimihety (7%), os Sakalava (6%) e os Antandroy (5%). As crenças tradicionais são seguidas por 52% da população; os católicos correspondem a 21%, os protestantes a 20% e os muçulmanos a 7%.

História
Crê-se que a ilha de Madagáscar só passou a ser habitada há 2000 anos, possivelmente por viajantes de origem indonésia, dada a evidente influência daquela região na língua e na cultura malgaxes. Há perto de 20 grupos étnicos, dos quais o mais importante é o Merina. Apesar de estes grupos não se distinguirem, quer cultural, quer socialmente, uns dos outros, o certo é que só a partir do século XVI, aquando da chegada de exploradores estrangeiros à ilha (entre os quais os Portugueses), é que se começou a formar uma consciência nacional entre aqueles grupos que, até então, se tinham dedicado a pequenas guerras entre eles. E foi no fim do século XVI que nasceu um reino que estaria na base da nacionalidade malgaxe: o reino Merina, localizado no planalto central e com Tananarive como capital. Através de constantes negócios com os Franceses (em troca de escravos recebiam armas), Merina foi-se fortalecendo, aumentado gradualmente o seu domínio, ao mesmo tempo que se procedia à estruturação administrativa, económica e social. Tal aconteceu sobretudo pela ação de Andrianampoinimerina, que reinou de 1787 a 1810 e sob a qual se reunificou, em 1797, Merina que, em meados do século XVIII, se tinha dividido em quatro reinos.
Entretanto, os Franceses já tinham mostrado vontade de dominar a ilha de Madagáscar, nomeadamente através da conquista de ilhas adjacentes à costa oriental. Perante esta situação, Radama I, filho de Andrianampoinimerina, alia-se ao governador inglês da ilha Maurícia, que o apoia na anexação daquela área e de terras no Sul de Madagáscar pertencentes ao reino Sakalava, em troca da abertura de Madagáscar a trabalhadores e instituições inglesas, tais como a Sociedade Missionária de Londres. A morte de Radama em 1828 e a consequente subida ao trono da sua mulher, Ranavalona I, inverteu esta política, pois a rainha elegeu como prioridade a expulsão de toda a presença europeia, situação que durou até à sua morte. Radama II, filho de Ranavalona I, restabeleceu os contactos com os europeus, política que foi levada ao excesso, o que provocou a sua deposição em 1863, sendo substituído pelo chefe do exército, Rainilaiarivony, que permaneceu como primeiro-ministro até 1895, ano em que se veria exilado em França. Até ao seu exílio, Rainilaiarivony adotou um estilo ocidental de governação combinado com o respeito pelas leis ancestrais, satisfazendo, deste modo, quer os interesses dos europeus, quer os privilégios da classe aristocrática malgaxe.
A ameaça francófona estava cada vez mais presente, porque, entretanto, a França já tinha alargado a sua influência ao reino Sakalava. A guerra travada entre a França e o reino Merina (1883-85) levaria a um tratado ambíguo que concedia à França apenas uma representação governamental em Tananarive, mas em 1895 aquele país conseguiu entrar com o seu exército na capital de Merina, obrigando a rainha Ranavalona III a reconhecer o protetorado francês.
Apesar da resistência armada efetuada por guerrilheiros Merina, nos primeiros anos da colonização francesa, a verdade é que não demorou muito para que toda a ilha estivesse sob o domínio francófono. Esta conjuntura veio a resultar num crescimento económico acelerado, fruto do estreito relacionamento que o país, sobretudo através da produção agrícola, estabeleceu com os mercados europeus, principalmente com a França. Após a Segunda Guerra Mundial, Madagáscar passou a ter o estatuto de Território Ultramarino da República Francesa, com representantes no Parlamento francês, para além de passar a existir uma assembleia local em Tananarive. No entanto, na sequência de violentos levantamentos internos registados em 1947, a França ilegalizou os representantes malgaxes, assim como o Movimento Democrático para a Renovação de Madagáscar do qual faziam parte. Em 1958, a França decidiu dar aos seus territórios ultramarinos a possibilidade de escolherem o seu próprio destino. Madagáscar, através de um referendo realizado em setembro desse ano, decidiu pela sua autonomia dentro da Comunidade Francófona, sendo proclamada como república autónoma a 14 de outubro de 1958. A independência só viria a suceder a 26 de junho de 1960, com Tsiranana como presidente e com o Partido Social-Democrata no Poder. Este quadro permaneceu até 1972, ano em que Tsiranana, embora reeleito nas eleições de janeiro desse ano, foi obrigado a nomear o general Gabriel Ramanantsoa como primeiro-ministro com todos os poderes de governação. Essa nomeação foi confirmada em plebiscito realizado a 8 de outubro, três dias antes da resignação de Tsiranana. A política do general Gabriel Ramanantsoa levou ao rompimento de ligações com o mundo ocidental (nomeadamente com a França e os Estados Unidos), fazendo uma viragem em direção à União Soviética e outros países comunistas, em consonância com a política socialista interna. Esta política seria continuada pelo tenente-comandante Didier Ratsiraka, nomeado presidente e chefe do Conselho da Revolução pela junta armada estabelecida após o assassínio do coronel Richard Ratsimandrava, que tinha sucedido a Ramanantsoa. Didier Ratsiraka seria, no entanto, forçado a alterar por completo a sua política sob a pressão do Fundo Monetário Internacional, já que a economia do país tinha chegado à situação de bancarrota técnica. Os investidores estrangeiros voltaram a interessar-se por Madagáscar, ao mesmo tempo que a França perdoava uma dívida de quatro mil milhões de francos franceses, e se estabeleciam fortes ligações comerciais com a África do Sul. Didier Ratsiraka veio a ser substituído por Albert Zafy, como presidente da República, e por Francisque Ravony, como primeiro-ministro, que continuaram com a política de abertura ao investimento estrangeiro. No fim de 1993, Madagáscar passou a integrar a COMESA - Mercado Comum para o Oriente e Sul de África.
Como referenciar: Madagáscar in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-06-20 20:33:41]. Disponível na Internet: