Maneirismo

IntroduçãoArquiteturaArtes plásticas e DecorativasLiteraturaIntrodução
O termo "maneirismo", que originalmente foi empregue para definir a pintura amaneirada e formalista de um grupo de pintores italianos de meados do século XVI, como Rosso Fiorentino e Pontormo, foi mais tarde utilizado para indicar um período artístico que, desenvolvido na centúria de quinhentos, encerrou o Renascimento Pleno em Itália e antecedeu o Barroco.
Durante o século XVI, a rígida estrutura espacial e gramatical do renascimento, baseada no cumprimento de regras e de proporções harmónicas simples sofre um processo de decomposição e de enriquecimento, aceitando novas qualidades como a tensão, a instabilidade e a complexidade. Na terceira década do século XV, as bases políticas, sociais e culturais sobre as quais se desenvolvera o Renascimento tinham-se transformado enormemente. A Itália, invadida pela França e pela Espanha, perdeu nessa altura a sua independência, gerando-se um clima de instabilidade política ao qual se associou a crise interna da Igreja Católica, minada por uma rebelião que conduziu quase metade da Europa ao protestantismo. Foi precisamente esta Igreja que, empenhada numa profunda revisão dos seus fundamentos filosóficos organizou em 1547 o Concílio de Trento, apresentando-se então como um dos principais agentes desta reorientação cultural e artística.

Arquitetura
A diluição dos cânones clássicos estava já presente nos projetos finais de Bramante e de Michelangelo Buonarroti, dois dos mais marcantes arquitetos humanistas.
Um dos primeiros edifícios maneiristas, a Galeria dos Ofícios, foi construída em Florença por Giorgio Vasari.
O mais interessante e influente arquiteto do século XVI foi Andrea Palladio. Centrando a sua atividade em Vicenza, para onde desenha inúmeras Villas (residências nobres rurais) e palácios urbanos, realizou também alguns projetos de igrejas para Veneza. O seu trabalho mais divulgado é a Villa Rotonda, um edifício inteiramente simétrico, de planta quadrada (pontuada por uma cúpula central), em cujas fachadas este arquiteto aplicou pórticos de templos romanos. Neste projeto as proporções geométricas, tanto no desenho da planta como na composição dos alçados ganharam especial significado simbólico.
Vignola, um arquiteto mais conhecido pelo seu Tratado de Arquitetura que pelos trabalhos de arquitetura, realizou, na segunda metade do século o projeto para a Igreja de Jesus de Roma. Este templo, sede da ordem dos Jesuítas, procurava encarnar e sintetizar o espírito da Igreja contrareformista, saída do Concílio de Trento, assumindo-se como um dos edifícios mais influentes deste período. Acompanhando a expansão desta ordem jesuítica por todos os continentes, esta igreja tornar-se-á um dos modelos fundamentais do barroco.
Uma das mais notáveis construções maneiristas portuguesas, diretamente influenciada pela obra de Palladio e pelo tratado de Serlio, é o claustro de D. João III do Convento de Cristo em Tomar, projetado por Filipe Terzi. Outro projeto deste arquiteto, a Igreja de S. Vicente de Fora (Lisboa), construída nos finais de quinhentos, representa a plena assimilação do modelo de templo contra-reformista, anunciado pela Igreja de Jesus de Roma.

Artes plásticas e Decorativas
Tal como na arquitetura, ao nível das artes plásticas o maneirismo constituiu um período de intensa liberdade crativa, determinando uma rutura com os modelos clássicos pela eleição de qualidades formais e simbólicas como o artifício, a inquietude, o oblíquo e o assimétrico.
"O Juízo Final", fresco executado por Michelangelo Buonarroti para a parede da Capela Sistina (1534-41), representou uma das primeiras pinturas realizadas dentro do espírito da Contrarreforma.
Mas já na década anterior se começaram a desenhar os contornos formais daquilo que constituiria a gramática maneirista. Protagonizado por pintores italianos como Rosso Fiorentino, Pontormo, Parmigianino e Agnolo Bronzino, rapidamente este movimento alcançou uma dimensão internacional.
Tintoretto, expoente máximo do maneirismo veneziano, desenvolveu uma pintura de carácter anticlássico mas elegante, influenciada pela obra de Ticiano e de Michelangelo, que se destacava pelas pinceladas livres e rápidas, pelo acentuado claro-escuro e pelo abandono dos valores compositivos clássicos, como a simetria a e proporção. El Greco, um pintor de origem grega mas igualmente formado em Veneza e posteriormente radicado em Espanha, desenvolveu uma linguagem bastante original, cruzando a tradição da Escola Veneziana com influências bizantinas. Os seus quadros, invarialvelmente de tema religioso, transmitiam uma exaltada espiritualidade, pela intensidade do cromatismo e da textura, pelo sentido de movimento e violência das formas e pela deformação das figuras representadas.
Sem alcançar o nível de densenvolvimento da pintura, a escultura do século XVI foi dominada pelos últimos trabalhos de Michelangelo, como as estátuas tumulares da Sacristia Nova de S. Lourenço em Florença, ou as esculturas inacabadas do túmulo do Papa Júlio II, que o próprio artista designou de "Escravos". Giovanni Bologna, escultor florentino, realizou (cerca de 1580) uma das esculturas mais significativas deste estilo, "O Rapto das Sabinas", uma complexa composição de escala monumental, com três figuras que se movem em espiral ascendente. Desenvolvendo um estilo mais sereno e elegante, Benvenuto Cellini tornou-se conhecido pelas elegantes e requintadas peças de ourivesaria.

Literatura
Aspeto literário que aponta para um certo culto formal, para conceitos subtis, para um sentido negativo da vida. Depois do estudo da produção do século XVII, poderemos ver que Camões, na sua época, é já um poeta amaneirado a fazer a transição da sobriedade clássica para os exageros do Barroco, quer pela subtileza conceitual que afirma no soneto «Amor é fogo que arde sem se ver», quer por uma forma de expressão onde é evidente o preciosismo da linguagem, quer, ainda, pelo conteúdo da sua mensagem poética. Nesta, a nota de desalento constitui uma inspiração importante; isto pode observar-se na epopeia, no episódio do Adamastor e na elegia aos mortos pelo escorbuto. Como aqueles, o poeta é um vencido face ao destino.
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