Manuel Maria Coelho

Coronel de infantaria, Manuel Maria Coelho nasceu a 6 de março de 1857, em Chaves, e faleceu a 1943, em Lisboa. Depois de frequentar aos liceus de Braga e Porto, passou pela Escola do Exército, onde se formou como militar. Este reputado militar republicano português foi um dos oficiais que esteve na origem da sublevação do 31 de janeiro de 1891, na cidade do Porto. Juntamente com o capitão Leitão e o alferes Malheiro, conduziram os militares dos regimentos de Caçadores 9 e Infantaria 10 e 18 à revolta, que acabou por ser reprimida. Aos seus líderes, entre os quais Manuel Maria Coelho, o conselho de guerra aplicou penas de prisão. O oficial Coelho acabou, assim, por cumprir um degredo de cinco anos em Angola. Era um dos poucos detentores da medalha de bronze comemorativa da revolta de 31 de janeiro, distinção exclusiva dos revolucionários que nela alinharam.
Entrara em 1880 na vida política, ainda aluno da Escola do Exército, já animado com ideais republicanos. Estas convicções valeram-lhe algumas mudanças de unidade, como sucedeu aquando do Ultimato inglês de 1890. Numa das suas novas unidades, o Infantaria 10, foi ativo propagandista republicano, tendo liderado o grupo de militares desse regimento que se aventurou na revolta do 31 de janeiro de 1891. Depois do degredo em Angola, regressou em 1896 a Portugal, tentando implantar um movimento republicano forte e persistente, que nunca passou de projeto político. Desanimado e desapoiado, regressou a Angola, desta feita de livre vontade. Voltando à metrópole, novamente porfiou pelos seus anseios republicanos, mas sem êxito, viajando então para S. Tomé, de onde só regressaria em 1910, após a implantação da República. Depois do advento da República, Manuel Maria Coelho foi governador-geral de Angola e da Guiné (aqui interinamente), sendo posteriormente administrador público, exercendo este cargo em instituições estatais como a Caixa Geral de Depósitos e da Companhia de Moçambique. No ano de 1914, chefiou uma missão luso-alemã ao sul de Angola para estudar a implantação de caminhos de ferro na região. Fez parte também de uma outra comissão de estudos, agora para o cultivo da beterraba. Em 1921 foi deputado, representando o círculo de Lisboa. Foi chefe de governo entre 19 de outubro e 5 de novembro de 1921, na sequência da revolta de 19 de outubro desse ano.
Colaborou como articulista em vários jornais republicanos, sendo o fundador e redator do semanário A Justiça, publicado em Lisboa em 1880 e 1881; o mesmo papel teve do A Província (Luanda, Angola, 1893), a Fôlha do Norte (vespertino portuense, 1898); dirigiu o Diário da Noite (Lisboa, 1932). Colaborou em outros periódicos republicanos, como a revista Seara Nova (entre 1929 e 1936).
Na sua carreira militar, atingiu a reserva como coronel de infantaria. Foi sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, tendo-se dedicado a vários estudos no âmbito da História da Filosofia e das Ciências Naturais.
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