Manuel Vázquez Montalbán

Escritor espanhol, Manuel Vázquez Montalbán nasceu a 14 de julho de 1939 no chamado Barrio Chino, uma das zonas degradadas da cidade de Barcelona. O pai, um operário comunista, foi preso durante a Guerra Civil, pelo que só pôde ver o seu filho quando este contava já cinco anos de idade. A mãe, uma costureira de convicções anarco-sindicalistas, teve que cuidar da criança em circunstâncias muito pouco favoráveis.
Manuel Vázquez Montalbán teve, não obstante, acesso à escolaridade. Após ter concluído o ensino secundário, ingressou na Escola Oficial de Jornalismo. O facto de se ter tornado ativista na política anti-franquista, associando-se a movimentos como a Front Obrer Català, não o impediu de se licenciar, em 1960, com honras e louvores. Matriculou-se, mais tarde, nos cursos de Filosofia e Literatura da Universidade de Barcelona.
Entrou no mundo profissional como mediador de seguros funerários, mas logo conseguiu infiltrar-se no jornalismo. Colaborando com um periódico de inspiração franquista, o Solidaridad Nacional, Manuel Vázquez Montalbán não renunciou às suas ideologias, aproveitando a composição de alguns artigos para veicular as suas opiniões. Exemplo da sua artimanha foi o obituário de Ernest Hemingway, do qual se serviu para criticar o regime. Não obstante as suas cautelas, ousou participar numa manifestação de apoio aos mineiros galegos em 1962, pelo que foi detido pelas autoridades e condenado a uma pena de quatro anos de prisão por um tribunal militar. Submetido a tortura, conseguiu ser libertado ao fim de dezoito meses, no âmbito de uma amnistia concedida por morte do Papa João XXIII. Devolvido à vida civil, publicou um manual de Jornalismo, Informe Sobre la Información (1963, Inquérito à informação), mas, impedido de exercer a atividade, juntou-se à equipa da célebre Enciclopédia Larousse, na qualidade de pesquisador.
Em 1966 retomou o jornalismo, inserido numa revista progressista, a Triunfo, na qual foram aparecendo ensaios da sua autoria consagrados à cultura espanhola. No ano seguinte estreou-se como poeta, ao publicar Una Educación Sentimental (1967).
Mas a grande consagração de Vázquez Montalbán deu-se em 1972, logo após o aparecimento do seu segundo romance, Yo Maté a Kennedy. Refletindo os tempos difíceis que a Espanha atravessava, o policial apresentava ao público a personagem Pepe Carvalho, que se veio a tornar famosa em todo o mundo. Detetive peculiar, ex-comunista e ex-agente da CIA, Pepe Carvalho vivia através de uma moral duvidosa, demonstrava talentos de psicólogo e fraquezas como a gastronomia e uma certa inclinação para os favores fáceis de uma prostituta de nome Charo.
Depois de Tatuaje (1974) e La Soledad del Manager (1977), a dita Série Carvalho foi recompensada com o Prémio Planeta e o Prémio Internacional de Literatura Policial francês, atribuídos a Los Mares del Sur (1979), e que tornaram mais benéfica a atitude da crítica em relação ao trabalho do autor. Muitas outras obras se seguiram, bem como inúmeros prémios literários, comprovando não só a prolificidade do escritor, como a qualidade da sua produção.
Da sua extensa obra podem destacar-se os títulos Los Pájaros de Bangkok (1983, Os pássaros de Banguecoque), La Rosa de Alexandría (1984) e El Laberinto Griego (1991), pertencentes à Série Carvalho, e também El Pianista (1985, O Pianista), Autobiografía del General Franco (1992) e Reflexiones de Robinsón Ante un Bacalao (1995).
Manuel Vázquez Montalbán foi submetido a uma complicadíssima cirúrigia cardio-vascular em meados da década de 90. Faleceu a 18 de outubro de 2003 no aeroporto de Banguecoque, na Tailândia. O escritor encontrava-se no aeroporto em virtude de uma escala técnica, quando regressava da Austrália, onde havia procedido a pesquisas para um dos seus romances, e rumo a Espanha.
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