Maria Amélia Proença

Fadista e atriz, nasceu a 21 de outubro de 1938, no Bairro de Campo de Ourique, em Lisboa. É mãe do violista Carlos Manuel Proença.
Apesar de não ter antecedentes de fado na família, despertou cedo para aquela música, através da rádio. De tal forma que, aos oito anos, já cantava em público e ganhou a Taça Amália Rodrigues. O primeiro local onde atuou foi nas verbenas do Casablanca. Amália Rodrigues, com a qual cantou várias vezes, foi uma das fadistas que mais a influenciaram. Outros nomes importantes na sua aprendizagem foram Berta Cardoso, Lucília do Carmo, Alfredo Marceneiro, Júlio Proença, Fernando Farinha e Mariana Silva.
As casas de fado foram essenciais no seu percurso. Passou por quase todas as mais famosas casas de fado de Lisboa, salientando-se o Café Luso, o Sr. Vinho e a Taverna do Embuçado.
A partir dos anos 60, percorreu Portugal em concertos e desenvolveu uma carreira internacional, passando por países como Estados Unidos, Japão, Angola, Cabo Verde, Inglaterra, Noruega, Áustria, França e Grécia. Destacam-se concertos como o do Palácio de Windsor ou o Concertgebouw de Amesterdão onde cantou no concerto do Milénio, no Ano Novo de 2001-2002, acompanhada pelo Nederlanders Blazers Ensemble. E, mais recentemente, em Lisboa'94, Expo'98 e Porto 2001.
Em 1975, Maria Amélia Proença foi eleita delegada do Sindicato dos Trabalhadores do Espetáculo. E passou a incluir no seu reportório fados de carácter progressista. Em 1976, foi vítima de um episódio polémico. Após cantar o tema "Grito da Terra" (Domingos Silva/Acácio Gomes), foi expulsa da casa de fados O Solar da Madragoa, de que fazia parte do elenco.
Também se dedicou à rádio e ao teatro, participando em peças Enquanto Houver Santo António e Os Malucos em Festa, contracenando com alguns dos melhores atores da época, entre os quais Irene Isidro, João Villaret e Vasco Santana.
Já na década de 2000 destacou-se na peça de teatro Tudo Isto é Fado, de Tiago Torres da Silva. E recebeu honrosos convites para atuar em concertos de Camané, Marisa, Mafalda Arnauth, Pedro Moutinho e Joana Amendoeira, que são provas do reconhecimento da geração mais nova. Em 2005 foi distinguida com o Prémio Carreira da Casa da Imprensa.
Apesar da sua longa carreira de concertos - é uma das fadistas há mais tempo no ativo - Maria Amélia Proença gravou relativamente poucos discos. Salienta-se a coletânea lançada pela Movieplay, em 1998, e o álbum Fados do meu Fado (2006, Ocarina). O seu reportório inclui temas como "Alamares", "Brincos para Brincar", "Assim Seja", "A Bia da Mouraria" ou uma versão bem castiça do êxito de Toni de Matos, "O Vendaval".
Como referenciar: Porto Editora – Maria Amélia Proença na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-12-01 13:33:27]. Disponível em