Martin Buber

Filósofo austríaco, Martin Mordechai Buber nasceu a 8 de fevereiro de 1878, em Viena, Áustria. Judeu filósofo, teólogo e tradutor da Bíblia para alemão, Buber foi professor de Ciência da Religião na Universidade de Frankfurt, entre 1923 e 1933, e professor na Universidade Hebraica de Jerusalém, desde 1938.
Em 1892, depois dos pais se terem divorciado e de ter vivido uma temporada em casa dos avós, Buber volta a viver com o pai em Lemberg e nesta fase ocupa o seu tempo a ler Kant e Nietzsche.
Em 1896, Buber estuda nas universidades de Viena, Leipzig, Zurich e Berlim e as suas escolhas recaem no estudo da filosofia, história de arte, estudos alemães e filologia. Em 1898, une-se ao Sionismo e participa em congressos e controvérsias com Herzl sobre as várias direções da política e da cultura da época.
Mais tarde, em 1901, torna-se editor do semanário "Die Welt", o principal centro da organização mundial dos sionistas. Todavia, a sua compreensão cultural e educacional do Zionismo entrou em conflito com as ideias de Theodor Herzl, sionista político e, assim, Buber retirou-se do seu cargo.
Depois de no ano de 1921 conhecer e iniciar uma amizade com Franz Rosenzweig, Buber ajuda-o com a criação de um livro e em 1923 edita o seu livro I and Thou e assume as funções de reitor da Universidade de Frankfurt em Estudos Religiosos Judaicos.
Em 1925, inicia juntamente com Rosenweig, a tradução da Bíblia hebraica, para alemão, tarefa que dura até 1937.
A partir de 1930 torna-se professor honorário da Universidade de Frankfurt, até se despedir da função após a subida de Hitler ao poder. Em 1933, depois da ascensão de Hitler ao poder, Buber é nomeado diretor do Gabinete Central de Educação para Adulto para os Judeus, que intensificou a sua importância depois que os Judeus foram proibidos de frequentar escolas públicas Em 1938, Buber deixa a Alemanha, por incompatibilidade com as ideias regentes, e emigra para a Palestina, onde se torna professor de Antropologia e de Introdução à Sociologia na Universidade Hebraica de Jerusalém.
Em 1951, Buber recebe o Prémio Goethe da Universidade de Hamburgo e, em 1963, o Prémio Erasmus de Amesterdão.
Duas tradições confluem em Buber, por um lado a tradição filosófica reconhecida como abstrata e generalizante, e, por outro lado, a tradição religiosa judaica, comunicada nos livros bíblicos e na vida comunitária.
A expressão de Herrigel e Rosenzweig, de "O novo pensamento", é adotada por Buber. Existe uma recusa da relação sujeito-objeto como único princípio da reflexão filosófica. No seu livro Ich und du (Eu e tu), publicado em 1923, estão as bases do pensamento da relação. Estabelecimento da identidade entre espírito e palavra, onde as palavras, fundamentais, correspondem a vivências primordiais.
Segundo Buber, pode-se distinguir três esferas da vida da relação com base nos pares verbais: "Eu-Tu"/ "Eu-Isso"; "a vida com a Natureza", ou seja, a relação com os homens e a comunidade com as essências espirituais. "Eu-Tu" é o par onde surge a reciprocidade, a relação com o outro e também lugar de origem da liberdade do indivíduo e liberdade perante o outro, onde existe a tomada de decisão e se faz a ação histórica.
Para Buber, Deus pode ser conhecido através de qualquer ponto de vista subjetivo do Universo. E qualquer ser humano pode ter a revelação de Deus, na sua existência diária. Segundo Buber, a Bíblia é o registo da experiência de comunicação entre Deus e o Homem.
Declarou que a essência da vida religiosa não é a afirmação da crença ou fé mas sim o caminho para conhecer os desafios da vida.
Martin Buber morreu na sua casa em Talbyen, Jerusalém, a 13 de junho de 1965.
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