Marvão


Aspetos Geográficos
O concelho de Marvão, do distrito de Portalegre, localiza-se no Alentejo (NUT II), Alto Alentejo (NUT III). Ocupa uma área de 154,6 km2 e abrange quatro freguesias: Beirã, Santa Maria de Marvão, Santo António das Areias e São Salvador da Aramenha.
O concelho encontra-se limitado a sul pelo concelho de Portalegre, a oeste por Castelo de Vide e a este e norte faz fronteira com a Espanha. O concelho apresentava, em 2005, um total de 3796 habitantes.
O natural ou habitante de Marvão denomina-se marvanense.
Possui um clima marcadamente mediterrânico, caracterizado por uma estação seca bem acentuada no verão. A precipitação é irregular. As vertentes expostas a SW têm um clima mais quente e mais seco do que as que estão expostas a NE, com um clima mais frio e húmido.
O concelho localiza-se no Alto Alentejo, num planalto setentrional da serra de S. Mamede e é praticamente envolvido pelos dois braços da serra. A serra das Areias tem 537 m.
Este concelho está inserido no Parque Natural da Serra de São Mamede, de grande interesse geomorfológico, paisagístico, faunístico e florístico, valores arquitetónicos e paisagens humanizadas. A sua criação foi oficializada através do Decreto-Lei n.° 121/89, de 14 de abril. A sua extensão é de 31 750 ha, abrangendo parte dos concelhos de Arronches, Castelo de Vide, Marvão e Portalegre.
Neste parque, existe uma grande diversidade geológica tais como grutas, quartzitos e "marmitas de gigante" em Galegos, que são cavidades escavadas no leito granítico da ribeira de Galegos por fragmentos rochosos movimentados por um fluxo turbulento.
O rio Sever nasce no extremo sul do concelho de Carvão e resulta da confluência do ribeiro das Reveladas e do ribeiro do Porto da Espada, percorrendo-o no sentido sul-norte. De referir ainda as ribeiras de Galegos, das Águas e de Casalinha.

História e Monumentos
Recebeu foral em 1226, outorgado por D. Sancho II.
Em 1641 e 1648, registaram-se dois ataques à fortaleza do concelho, sendo o último sob o comando do marquês de Lagañes. Durante a guerra da Restauração, Marvão desempenhou um importante papel na defesa do Alto Alentejo.
Em 1801, aquando da Guerra das Laranjas, Marvão ofereceu uma forte resistência. Entre 1832 e 1834, durante as Guerras Liberais, a Praça de Marvão, comandada pelo miguelista coronel Francisco da Silva Lobo, resistiu às ordens de rendição feitas pela guerrilha constitucional.
De dezembro de 1833 a março de 1834, Marvão foi cercada pelas tropas miguelistas, sob o comando do brigadeiro António José Doutel.
No que se refere à toponímia, de referir que o historiador cordovês Isa Ibn Áhmad ar-Rázi designava-a por Fortaleza de Amaia e por Fortaleza de Amaia-o-Monte, entre outras denominações, levantando a hipótese de que existiria uma fortificação no topo do monte que teria servido a cidade de Ammaia, fundada no século I.
Ao nível do património monumental e arquitetónico, destaca-se o Castelo de Marvão, implantado no ponto mais alto de toda a crista, sobre uma colossal penedia. O castelo está rodeado por um primeiro circuito de muralhas contrafortadas por torreões e tem uma larga porta, que dá acesso à praça de armas onde se encontra a cisterna abobadada.
Subsistem, ainda, antas e menires, monumentos funerários simbólicos do Megalítico, entre os quais as antas do Matinho, Vale de Figueira, Meirinha, Cruz da Ginja, Canto das Torres ou da Cavalinha e Mouta Rasa.
De referir, também, a Igreja de Santa Maria, construída no século XIII e/ou XIV e que constitui uma igreja-tipo, possuindo uma "estrutura ogival", onde se conservam três naves com arcadas longitudinais e cobertura de madeira.

Tradições, Lendas e Curiosidades
As manifestações populares e culturais são abundantes no concelho, entre outras: a festa de Santo António dos Barros Cardosa, realizada em julho, normalmente no fim de semana que se segue às festas na aldeia da Beirã; a festa de Nossa Senhora da Rocha, em agosto, e a festa de Santa Teresinha do Menino Jesus, no terceiro fim de semana de junho.
No artesanato, merecem referência os trabalhos, de escultura, cerâmica, mobiliário e bordados.

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor terciário, na área do comércio e serviços, na exploração do complexo termal. Segue-se o setor secundário e só depois o setor primário, que porém mantém alguma importância.
Na agricultura, predominam a batata, os prados temporários e culturas forrageiras, os frutos secos, o pousio, o olival, os prados e pastagens permanentes. A pecuária tem também alguma importância, nomeadamente na criação de aves, ovinos e caprinos. Quase 40% (1164 ha) do seu território está coberto de floresta.
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