Mohenjo Dahro

A civilização do Vale do Indo era, essencialmente, urbana e mercantil. Parecia não ter uma classe dominante de padres ou de guerreiros. As armas existentes eram rudimentares, tal como os utensílios agrícolas. Os agricultores viviam em pequenas comunidades rurais e depreende-se, através dos modelos de terracota, que tinham viaturas com rodas, semelhantes àquelas que ainda hoje são utilizadas no Paquistão, que, provavelmente, seriam usadas para transportar os produtos até aos centros urbanos.
A maior realização desta civilização foi a construção das suas cidades, em especial Harappa e Mohenjo Dahro. As suas cidades eram concebidas segundo um plano retilíneo, com ruas largas, sem fortificações, porque, provavelmente, estas não eram precisas. Cada cidade podia ter a sua cidadela, sob um montículo artificial de tijolo semelhante a um zigurate de um andar.
A cidade de Mohenjo Dahro está mais bem preservada do que a de Harappa, que era a maior urbe e a mais importante, mas cujas ruínas foram destruídas, em grande parte, pela construção do caminho de ferro britânico no século XIX. Esta estaria originalmente sobre a margem ocidental do Indo, que mais tarde mudou de curso e onde foram construídos diques. As casas, as oficinas e as lojas eram feitas de tijolos crus. A descoberta de escadas indica a existência de pisos superiores em madeira.
Os monumentos públicos, situados sobre a cidadela, não seriam diferentes das outras construções. Foi encontrada uma grande sala de reunião com um teto sustentado por várias colunas (um tipo de construção desenvolvido mais tarde no Egito e na Grécia), um silo de grão, uma pia, provavelmente para as abluções rituais, e, nas proximidades, várias células mais pequenas.
As casas das cidades tinham belos vasos de bronze sem ornamentação. A maioria da cerâmica era simples e utilitária, embora alguns vasos destinados a guardar alimentos fossem decorados com formas geométricas, vegetalistas e, por vezes, antropomórficas. As joias de ouro e de prata apresentavam pedras semipreciosas como o lápis-lazúli, as turquesas e o jade. Foi até identificada uma pequena fábrica de pedras na pequena cidade de Channu-Daro.
Todas as obras de arte que subsistiram são de pequenas dimensões e terão tido um uso pessoal. Não se encontraram obras públicas de grande detalhe. Dentro do numeroso conjunto de cerâmicas descobertas, encontram-se figuras masculinas grosseiras e, mais frequentemente, figuras de mulheres com as ancas largas e os órgãos sexuais em evidência, que seriam objetos de culto, e animais com charruas que podiam ser brinquedos. Os selos têm um aspeto lustroso. Neles aparecem personagens masculinas, animais reais e fabulosos sobre a superfície de retângulos lisos, sem os efeitos narrativos dos selos-cilindros mesopotâmicos (sumérios e assírios).
Nas esculturas de pedra em ronde bosse, de pequenas dimensões, representavam-se cabeças masculinas e semi-figuras com estranhos olhos, lábios grossos e longas barbas. A mais bela destas esculturas foi talhada em calcário branco. Trata-se do torso de Mohenjo Dahro, com 18 cm (cerca de 2300-1750 a. C.), do Museu de Nova Deli, cuja disposição do manto sobre o ombro esquerdo faz supor que ele seria um sacerdote ou um chaman.
As ruínas arqueológicas de Mohenjo Dahro foram classificadas Património Mundial pela UNESCO.
Como referenciar: Mohenjo Dahro in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-23 20:33:04]. Disponível na Internet: