morgado

A instituição destes vínculos entre a família e o seu património imobiliário desenvolveu-se entre nós a partir dos séculos XIII-XIV e apenas foi extinta no terceiro quartel do século XIX. Foi, portanto, um dos caracteres estruturais da sociedade portuguesa ao longo de vários séculos.
Se constituiu, de facto, uma forma de prevenir a desagregação das estruturas económicas que suportavam uma dada classe social, este sistema teve também inconvenientes, até para a própria aristocracia. Em primeiro lugar, era óbvio que fazer do filho varão primogénito o único herdeiro representava um tratamento de desigualdade para os filhos segundos e para as filhas, lançando-os em dificuldades e fazendo com que, muitas vezes, se perdesse o seu contributo e empenho no desenvolvimento do património da família. Em segundo lugar, os morgados eram um entrave ao estabelecimento de novas relações sociais e económicas nos campos; eram um fator de imobilismo, incompatível com as dinâmicas do capitalismo.
Desta forma, ao longo do século XIX houve várias tentativas com vista a suprimir esta instituição. Dois momentos foram particularmente importantes: em 1832, o grande reformador liberal Mouzinho da Silveira fez a sua limitação, suprimindo os morgados de menor dimensão (aqueles cujos rendimentos não atingiam um determinado valor); em 1863, finalmente, deu-se a abolição geral dos vínculos, excetuando-se apenas a Casa de Bragança.
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