morte das estrelas

Imagine-se que a duração de um ano era igual a um quinto de segundo. Com esta duração de tempo o Sol poderia viver 65 anos. A esta alta velocidade, cerca de vinte e cinco estrelas da Via Láctea apagam-se por segundo. Estas mortes são assinaladas por lufadas de vento que se ejetam das camadas das estrelas. O desfazer destas camadas enriquece o meio interstelar, que pode ser aproveitado na formação de novas estrelas ou planetas.
Da morte das estrelas resultam núcleos frios. Mantidos fortemente pela gravidade, constituem as escórias do espaço. Em alguns casos o núcleo transforma-se em estrelas de neutrões, uma tranquila esfera giratória de matéria nuclear. Noutros casos o núcleo desaparece no espaço como um buraco negro. Noutras, tranquilamente, o núcleo transforma-se numa estrela anã branca, um cristal sólido de carbono. É este o eventual destino do nosso Sol.
Sabemos que as estrelas, independentemente do seu tamanho, podem, eventualmente, gastar todo o seu combustível e colapsar em consequência da sua imensa força gravitacional. Nesta base podemos considerar o estado final das estrelas em função de três categorias de quantidade de matéria que as constituem.
Morte de estrelas com baixa massa: as estrelas cuja massa (quantidade de matéria) é inferior à do Sol (0,5 da massa solar) gastam o seu combustível a uma taxa relativamente baixa. Consequentemente estas pequenas estrelas podem evoluir, desde a sua formação até à morte, durante mais de 100 biliões de anos. Como no seu interior a matéria nunca atinge temperaturas e pressões suficientemente altas para fundirem o hélio, a sua fonte de energia resulta unicamente da fusão do hidrogénio.
Estas estrelas, com baixa massa, nunca evoluem para estrelas vermelhas gigantes. Contudo, mantêm uma sequência estável até consumir o seu hidrogénio e colapsar originando uma estrela anã branca. Estas estrelas são pequenas, incapazes de suportar a combustão do seu núcleo.
Morte de estrelas de massa média (semelhantes ao Sol): as estrelas, cuja quantidade de matéria está compreendida entre 0,5 da massa solar e três vezes a massa solar, evoluem praticamente da mesma maneira. Durante a sua fase mais ativa, as estrelas de massa média (semelhante ao Sol) fundem hidrogénio e hélio a uma taxa acelerada.
Uma vez consumido este combustível, estas estrelas colapsam formando corpos do tamanho da Terra de grande densidade, as anãs brancas. A densidade de uma anã branca é tão grande que os físicos admitem que pode destruir protões e eletrões.
A energia gravitacional gasta no colapso de uma estrela anã branca reflete-se na alta temperatura da sua superfície. Contudo, sem uma fonte de energia nuclear, a anã branca torna-se fria e continua a libertar radiações térmicas remanescentes para o espaço. Durante o seu colapso as estrelas médias criam e expandem no espaço um aglomerado esférico de gás. Estes aglomerados de gás são designados muitas vezes nébulas planetares. Um bom exemplo destas nébulas é a Nébula Hélix da constelação Aquário.
Morte de estrelas com grande massa: em contraste com as estrelas de massa média, que acabam lentamente, as estrelas cuja massa excede três vezes a massa solar têm uma vida relativamente curta e terminam com uma explosão brilhante denominada supernova. Durante a ocorrência da supernova, a estrela torna-se milhões de vezes mais brilhante do que no estado pré-nova. Se numa das mais próximas estrelas da Terra ocorrer um fenómeno deste tipo, o brilho resultante poderá ultrapassar o do Sol. As supernovas são raras.
Nunca foram observadas na nossa galáxia desde o advento do telescópio, embora Tycho Brahe e Galileu tenham registado, cada um, uma com o intervalo de 30 anos. Uma grande supernova foi registada em 1054 a. C. pelos Chineses. O remanescente deste grande acontecimento é a nébula Crab.
A ocorrência de uma supernova dá-se quando uma estrela de grande massa consome a maior parte do seu combustível nuclear. Sem uma fonte de calor para gerar a pressão gasosa necessária para equilibrar o imenso campo gravitacional, a estrela colapsa. Esta implosão de proporções de um cataclismo provoca uma onda de choque que destrói a estrela arrastando a parte exterior para o espaço, originando a formação de uma supernova.
Trabalhos teóricos admitem que durante a supernova o interior da estrela condensa-se num objeto muito quente, possivelmente com mais de 20 km de diâmetro.
Estes incompreensíveis corpos densos têm sido designados estrelas de neutrões. Algumas supernovas são capazes de produzir buracos negros.
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