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Mosteiro de Sta. Catarina do Monte Sinai
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Muitos são os montes possíveis para serem o mítico Djebel Musa (em árabe, "monte de Moisés"), no Sinai (Egito), mas é esta montanha de 2288 metros que serve de gigantesco cenário ao mosteiro ortodoxo de Santa Catarina que a tradição bíblica e a posteriori relacionam com o local onde Moisés recebeu a Lei. Na sua base erigiu-se o célebre mosteiro, em honra da transfiguração de Jesus diante de Moisés e Elias no monte Tabor. Foi mandado erigir por Justiniano no seu reinado, entre 527 e 565, à frente do Império Romano do Oriente (ou Bizantino), em pleno deserto. A fundação do cenóbio pode estar ligada a uma tradição de veneração do monte como lugar da sarça-ardente (planta espinhosa, referida na Bíblia, que não ardeu no fogo e que simboliza o contacto entre Moisés e Deus) e da entrega das Tábuas da Lei, mas também à provável existência de experiências ascéticas, eremíticas ou comunitárias, nas imediações da montanha. Toda a região do Sinai, pelas suas características orográficas, pela passagem de rotas caravaneiras, pela tradição monástico-eremítico egípcio-palestiniano pode apoiar essas experiências. A arqueologia não comprova qualquer tradição da sarça-ardente ou as ditas experiências, apenas a existência do mosteiro e a sua história e devoção o atestam, assim como todas as ruínas a ele ligadas. De referir que uma tradição bizantina aponta neste sentido, quando refere que santa Helena, mãe do imperador Constantino, em princípios do século IV, mandou erigir uma capela, dita da Sarça-Ardente, junto ao monte, com uma comunidade monástica adstrita, a qual esteve na base do futuro mosteiro.
A existência desses espaços religiosos ou suas tradições a potenciar a tradição de Moisés terá incentivado Justiniano, o imperador do século de ouro bizantino e grande protetor da religião cristã, a patrocinar a ereção do cenóbio, em memória de Moisés. Esta fundação torna o cenóbio como o mais antigo mosteiro cristão ainda vivo e em uso de acordo com a sua intenção fundacional. O mosteiro recebeu mais tarde a invocação de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir do século IV, Doutora da Igreja, cujas relíquias foram levadas por anjos para o mosteiro do Sinai. Antes do Ano Mil a veneração à santa já ali existia, o que atraiu ainda mais devoções, benesses e patrocínios. Uma lenda diz mesmo que foi logo a seguir ao seu martírio (c. 307) que os seus restos mortais ali foram colocados pelos anjos, para um sepulcro no sopé do monte de Moisés. Ora, a sua morte ocorreu nos começos do século IV, mais de um século antes da fundação do mosteiro por Justiniano. Havendo sempre uma dose de verdade nas lendas, um sepulcro bem ali podia existir, o que pode indiciar a existência de eremitas ou até monges antes do século VI. Outra lenda refere que durante mais de 200 anos se preservou secretamente o corpo da Mártir, que o imperador decidiu colocar no mosteiro recém-fundado no Sinai. O monte é também conhecido como Djebel Katerina ("monte de Catarina"), porque uma versão da última lenda refere que o corpo foi levado por anjos e colocado no Sinai. Os monges da Transfiguração, no sopé da montanha, descobriram-no mais tarde e levaram-no para o seu mosteiro, a que a tradição mudaria o orago para o nome da Virgem.
No século VII, o abade titular do cenóbio, de tradição bizantina, logo com menores ligações à tradição romana, recebeu o título de bispo de Phanar, Sinai e Raiths, titulatura que esteve na base da ereção canónica do mosteiro como Igreja Autocéfala, isto é, cabeça da sua jurisdição sem depender de qualquer outra eclesiasticamente (nem de Constantinopla, nem de Roma, Jerusalém, etc.). A única ligação reside na consagração do arcebispo de Santa Catarina do Monte Sinai, ou Igreja do Monte Sinai - a mais pequena Igreja da comunhão e tradição ortodoxas (depois do Grande Cisma de 1054, em que se deu a separação das Igrejas do Oriente e do Ocidente) - pelo Patriarca de Jerusalém. Atualmente, a comunidade monástica ortodoxa, multinacional, alberga cerca de 20 monges e atrai um número infindável de peregrinos e devotos ao lugar, santo não apenas para o Cristianismo mas também para o Judaísmo e para o Islão, por via de Moisés, profeta maior das três religiões monoteístas e do Livro.
Arquitetonicamente, o mosteiro obedece à tradição bizantina do ponto de vista da edificação, registando no seio das muralhas à volta da igreja e espaço monástico anterior, mandadas edificar à ordem de Justiniano em 542, para defender o mosteiro dos ataques de beduínos, várias construções aglomeradas e colocadas como se de uma cidadela se tratasse. A arte móvel é a que mais destaca o mosteiro, pela excelência e copiosidade de peças várias, desde mosaicos árabes, ícones gregos e russos, pinturas ocidentais em óleo, cera, mármores vários, vestes litúrgicas riquíssimas, até um relicário doado por Catarina I da Rússia, no século XVII, além de um outro oferecido pelo czar russo Alexandre II Romanov, no século XIX. Depois do Vaticano, encontra-se neste mosteiro a segunda maior coleção de iluminuras do mundo: mais de 3500 volumes, em grego, copta, arménio, árabe, hebraico, línguas eslavas, siríaco, georgiano, entre outras línguas do Médio Oriente. Em 1850 um estudioso pediu o empréstimo de um códice à biblioteca do Mosteiro, o célebre e valiosíssimo Codex Sinaiticus, do século IV: até hoje não foi devolvido, estando depositado no Museu Britânico, em Londres, Reino Unido.
Ainda dentro do espaço cercado do mosteiro, acha-se uma mesquita que remonta aos séculos X-XI, além de uma capela, de S. Trifónio, que alberga a Casa dos Crânios, uma espécie de capela de ossos. Repositório vivo do Cristianismo primitivo, lembrança de Moisés e da sarça-ardente, das Tábuas da Lei, este mosteiro é um dos lugares mais míticos do Médio Oriente e um grande destino turístico no Egito.
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Como referenciar
Mosteiro de Sta. Catarina do Monte Sinai na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$mosteiro-de-sta.-catarina-do-monte-sinai [visualizado em 2026-06-06 05:46:49].
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