Nazaré (Galileia)

Nazaré é a maior cidade árabe de Israel, sendo também um grande centro de peregrinações cristãs. Cidade histórica da Baixa Galileia, foi capital de um dos efémeros estados cristãos do tempo dos cruzados. Assim, em 1099 um nobre cruzado, Tancredo, conquistou a Galileia e converteu a cidade da infância de Jesus a sua capital. Este domínio cristão não chegou a durar um século, pois em 1187 Saladino derrota os cruzados da Terra Santa e acaba por os expulsar para sempre em 1291, reduzindo a influência cristã também sobre Nazaré da Galileia. No início do século XVI, os poucos cristãos que ainda se demoravam por Nazaré foram expulsos pelos turcos otomanos, então senhores da região. Apenas entre 1590 e 1635, durante o emirato de Fakhr al-Din II, emir do Líbano, os cristãos puderam regressar legalmente a Nazaré. Um regresso que acabou por ser definitivo, pois desde então se mantêm na cidade, amplamente dominada etnicamente pelos árabes. Em 1799 há a registar a tomada da cidade aos turcos por tropas napoleónicas francesas oriundas do Egito, comandadas pelos generais Junot e Murat. A cidade foi poucos anos depois reocupada pelos turcos, que ali se mantiveram até pouco depois do fim da Primeira Guerra Mundial, mais precisamente 1920, quando começou o mandato britânico na Palestina. Integrou-se no Estado de Israel em 1947-48.
Nazaré, apesar dessa avassaladora preponderância muçulmana, vale essencialmente, em termos de estética urbana e de marcas deixadas pela história, pelas várias igrejas cristãs, da qual se destaca a maior de todas as congéneres no Médio Oriente: a igreja da Anunciação, a qual, segundo a tradição católica, está construída sobre o lugar onde o anjo Gabriel anunciou a Maria que seria a mãe de Jesus. Há contudo uma outra igreja que celebra o mesmo momento, a de S. Gabriel, pertencente a cristãos orotodoxos de rito grego, que consideram que foi ali que o anjo terá feito a Anunciação a Maria. A Igreja da Sinagoga relembra também a sinagoga judaica de Nazaré em que Cristo pregou, de acordo com a tradição. Já a igreja de S. José aviva a memória dos crentes no que se relaciona com o lugar da carpintaria do pai adotivo de Jesus. Existe também a basílica de Jesus Adolescente. Como em Jerusalém, também em Nazaré se verifica uma coabitação de várias comunidades cristãs de diferentes ritos, reivindicando cada uma a posse de um lugar santo. A convivência também se processa com a maioria muçulmana, embora neste caso as feridas sejam mais difíceis de superar. Por exemplo, neste momento existe uma grande polémica entre as comunidades católica romana e a islâmica, pois a última construiu uma mesquita em frente à igreja da Anunciação, levantando suscetibilidades entre os seguidores da Igreja Romana, perante uma relativa surdez árabe e uma passividade israelita.
A cidade é, à custa dos seus lugares santos e dos visitantes e peregrinos que por isso atrai, um dos grandes polos turísticos de Israel, registando também uma animada atividade comercial e uma indústria florescente (têxteis e alimentos), aproveitando a inúmera mão de obra barata árabe.
Num dos seus subúrbios, mais precisamente em Nazerat Illit (Alta Nazaré em hebraico), numa das colinas orientais da cidade, situa-se a sede administrativa da região norte de Israel. A população da cidade ronda os 50 000 habitantes.
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