Niceia I

Primeiro concílio ecuménico, reunido em Niceia da Bitínia, na região de Bizâncio, entre 20 de maio e 25 de julho de 325, convocado pelo imperador Constantino.
Neste concílio, realizado no palácio de verão do próprio imperador, pretendiam-se resolver, essencialmente, dois problemas: o da data de celebração da Páscoa e o da heresia ariana (cujo mentor foi Arrio, no século IV, que defendia a conceção do Verbo de Deus como uma simples criatura e não como possuidor de carácter divino).
Participaram sobretudo representantes da Igreja Oriental, tendo ido do Ocidente apenas cinco clérigos, entre os quais se encontravam os representantes do bispo de Roma e Osio de Córdova. Consta que este último desempenhou o cargo de presidência do concílio, contribuindo para tal o facto de ser depositário da confiança do imperador. Segundo o declarado por Santo Atanásio de Alexandria e por Eusébio de Cesareia, o concílio contou com cerca de 300 participantes, podendo-se verificar deste modo o profundo desequilíbrio entre a já consolidada Igreja do Oriente e a ainda incipiente do Ocidente.
A data da celebração pascoal fixou-se no domingo seguinte ao dia 14 do mês de Nisan (segundo o calendário judaico), como já se tinha vindo a fazer em diversas Igrejas, como a de Roma.
No concernente à doutrina de Arrio, por ele e pelos seus seguidores exposta na altura, foi considerada herética e condenada. Surgiu então o símbolo de fé de Niceia, elaborado pelo diácono Atanásio de Alexandria e pelos bispos Marcelo de Ancira e Eustáquio de Antioquia, que determinava ser o Verbo gerado, não feito, consubstancial ["homousios", em grego] ao Pai. Tão importante era esta questão da identidade divina entre Deus Pai e o Verbo que ainda hoje este conceito, inequívoco, faz parte do Credo.
Arrio não aceitou este símbolo, que foi aprovado no dia 19 de junho, tendo por conseguinte sido desterrado e excomungado, tal como os seus seguidores.
Além destas questões foram ainda aprovados 20 cânones disciplinares que proibiam o acesso ao clero aos eunucos, a elevação a bispo ou presbítero de recém-batizados, o dever de obediência dos bispos metropolitas de Tebaida, da Líbia e do Egito ao bispo de Alexandria, a obrigatoriedade da presença de três bispos para a consagração de outro e com deliberações sobre a liturgia, a penitência pública, a disciplina a seguir pelos clérigos e o reingresso de hereges e dos cismáticos.
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