Nigéria

Geografia
País da África Ocidental. Situado na costa meridional do golfo da Guiné, o país deve o seu nome ao facto de ser atravessado pelo rio Níger, que desagua num extenso delta. Ocupa uma área de 923 768 km2. A Nigéria faz fronteira com o Níger, a norte, o Chade, a nordeste, os Camarões, a leste e a sudeste, e o Benim, a oeste, e é banhada pelo golfo da Guiné, a sul. A capital é Abuja. As maiores cidades são Lagos, com 8 682 200 habitantes (2003), Kano (3 412 900 hab.), Ibadan (3 201 500 hab.) e Kaduna (1 563 300 hab.).
O relevo da Nigéria é, na sua generalidade, caracterizado pela predominância de planaltos com altitudes entre os 600 e os 1200 metros, divididos por pequenas planícies por onde correm os seus principais rios, o Níger e o Benué. Estes dois rios juntam-se na região Centro do país, desaguando no golfo da Guiné. Toda a costa nigeriana é constituída por planícies arenosas.
Clima
O clima da Nigéria varia de equatorial, no litoral sul, a tropical seco, nas regiões do Norte.

Economia
A economia da Nigéria depende, em larga medida, das receitas da exploração de petróleo. O país é o principal produtor africano de petróleo e é membro da OPEP desde 1975. Também o estanho e a pedra de cal são extraídos em grande quantidade, e a produção de gás natural desenvolve-se a passos largos. No entanto, as indústrias dedicadas à manufatura continuam subdesenvolvidas.
O desenvolvimento das plantações de borracha, embora torne a Nigéria um grande produtor (60% de toda a produção africana), coloca problemas ambientais, dada a extensão da área de floresta derrubada. O setor do cacau, que também é responsável pela desflorestação, atravessa dificuldades que se traduzem em desemprego. Entre as produções agrícolas destinadas ao consumo interno, destaca-se a mandioca, o inhame, o sorgo, o milho, o arroz e o amendoim. Os principais parceiros comerciais da Nigéria são os Estados Unidos da América, o Reino Unido, a Espanha e a França.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 0,3.

População
A Nigéria é o país africano mais populoso: em 2006 tinha 131 859 731 habitantes, equivalente a uma densidade populacional de 139,4 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 40,43%o e 16,94%o. A esperança média de vida é de 47,08 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,463 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,450 (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja cerca de 204 000 000 habitantes.
A população nigeriana é composta por mais de 200 etnias, facto que se deve à localização geográfica da Nigéria no ponto de encontro de várias rotas migratórias transcontinentais, sendo as etnias mais importantes os Haúças (21%), os Ioruba (21%), os Ibos (18%), os Fulas (11%), os Ibibio (6%) e os Kanuri (4%).

História
Como se deduz pelo número de etnias residentes na Nigéria, a história inicial deste país escreve-se pela influência de vários povos. Assim, entre 500 a. C. e 200 d. C., a Nigéria teve no povo Nok (estabelecido na confluência dos rios Níger e Benué) a sua primeira civilização devidamente estruturada. No século XI, formou-se o império de Kanem, que incluía a província de Bornu e os territórios a leste e oeste do lago Chade, e que resultou das migrações dos povos Kanuri (de Bornu), Haúças e Fulas em direção ao Norte. Este império desmembrar-se-ia no século XIV, sobrevivendo apenas a região de Bornu como reino. Por esta altura já o Islão tinha sido introduzido na Nigéria (século XIII), e este facto viria favorecer o aparecimento, no início do século XIX, de outro império, o império dos Fulas, que se formou a norte dos reinos Ioruba e Benim (situados na que viria a ser a região ocidental do país) e do reino dos Ibos.
Embora tenham sido os Portugueses os primeiros europeus a atingirem a costa nigeriana, no século XV, seriam os Ingleses a estabelecerem-se no território. O interesse inglês na Nigéria começou no século XVII, quando o comércio escravagista florescia. Com o fim desse comércio em 1807, imposto, curiosamente, pela Inglaterra, este país enviou uma esquadra para o golfo da Guiné para fazer cumprir aquele decreto, e não demorou muito tempo para que os mercadores ingleses começassem a abordar a costa nigeriana à procura de produtos comerciáveis. Assim, a presença britânica começou oficialmente pelo controlo de Lagos em 1861. Em 1866, a Nigéria passa a ser colónia inglesa, assumindo o estatuto de Colónia e Protetorado da Nigéria em 1914.
A origem do federalismo na Nigéria remonta ao ano de 1939, quando foram criadas as regiões administrativas ocidental e oriental, e ao ano de 1954, altura em que foi criada uma terceira região, a do norte. Os dez anos anteriores à declaração da independência, a 1 de outubro de 1960, foram marcados por várias iniciativas constitucionais subordinadas à autonomia nigeriana com objetivos independentistas. Destas se destaca a Constituição de Lyttelton, que conseguiu levar em consideração os desequilíbrios existentes a vários níveis entre as regiões. Mas seriam estes desequilíbrios a estar na origem do golpe de Estado militar ocorrido a 15 de janeiro de 1966 (já com o território dividido em 12 estados), liderado pelo general Johnson Aguiyi-Ironsi, que, por tentar dissolver o federalismo, seria assassinado a 29 de julho desse ano, sendo substituído pelo coronel (mais tarde general) Yakubu Gowon.
Os conflitos étnicos conduziram a uma guerra civil quando, a 30 de maio de 1967, o líder da região oriental declarou a independência da República do Biafra. Mas, apesar do reconhecimento e apoio dados por alguns estados africanos à nova república, a verdade é que a 15 de janeiro de 1970 uma delegação do Biafra se rendeu formalmente ao governo nigeriano em Lagos.
O general Gowon, ao comunicar o adiamento da entrada em vigor de uma administração civil, provocou a sua deposição, levada a cabo em 29 de julho de 1975 pelo brigadeiro Murtala Ramat Mohammed, que seria assassinado a 13 de fevereiro de 1976, ano em que o número de estados no território passou para 19 (em 1991, este número aumentou para 30).
A II República, instaurada a 1 de outubro de 1979, tem vivido também em permanente instabilidade governativa. Após o derrube do primeiro presidente eleito da II República, Shehu Shagari, por um golpe de Estado militar a 31 de dezembro de 1993, outro golpe ocorreu a 27 de agosto de 1985, liderado pelo general Ibrahim Babangida, que governou o país até 1993, ano em que, após ter anulado as eleições presidenciais, foi deposto pelos militares, subindo ao poder o general Sani Abacha.
A política de Abacha pautou-se pelo autoritarismo político, reprimindo e ilegalizando qualquer movimento pró-democracia, do qual se destacava Moshood Abiola, presumível vencedor das eleições de 1993, que foram anuladas. Quando Abiola se proclamou, a 11 de junho de 1994 e perante uma multidão de 3000 pessoas, presidente, chefe das forças armadas e líder do governo, causou de imediato uma violenta reação governamental culminada com a prisão de Abiola a 23 de junho, que foi posteriormente condenado por traição. Esta decisão do Alto Tribunal de Abuja conduziu a inúmeros levantamentos populares que, conjuntamente com greves levadas a cabo nas explorações petrolíferas, minaram a já de si débil economia nigeriana. Este quadro de instabilidade social e política manteve-se até setembro desse ano, quando os líderes dos sindicatos dos trabalhadores petrolíferos decidiram acabar com a greve. A 6 de setembro, Abacha decretou poderes absolutos para o seu regime, negando qualquer direito de jurisdição por parte dos tribunais sobre o seu governo.
Após dezasseis anos de governo militar, o Partido Democrático do Povo (PDP) ganhou as eleições de 1999 e de 2003, tendo como Presidente Olusegun Obasanjo que, no segundo mandato, prometeu reforçar a democracia e promover estabilidade política e crescimento económico.
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