nilómetro

Construção tipo poço, graduado nas paredes, destinada a medir a altura das águas do rio Nilo. Consistia normalmente numa série de degraus em profundidade, a partir dos quais de media a normal subida do nível do rio ou o seu aumento na grande inundação anual (akhet), esta, claro, antes de conclusão da Barragem Superior (High Dam) de Assuão, na segunda metade do século XX. Antes dessa barragem se erigir, as cheias, que começavam em fins de junho em Assuão, atingindo o Baixo Egito, o Delta, em setembro só podiam ser previstas e medidas através dos nilómetros. Com os nilómetros, devido à sua ligação subterrânea com o Nilo, podia-se medir todas estas alterações de cota de água e prever mesmo a sua chegada, que caso fosse exagerada logo se tomariam precauções para diminuir riscos. O registo sistemático e regular permitia também uma melhor avaliação das terras inundadas e que depois poderiam ser cultivadas na estação seca, o que permitia também uma mais precisa cobrança de rendas e taxas agrícolas. A humidade ou mesmo o contacto da água com o fundo destes túneis escavados no subsolo, perto do rio, forneciam os indicadores dos valores aquíferos nilóticos. Existiam em templos, junto às localidades, ao longo de todo o Egito. Foram feitos pelos Antigos Egípcios, mas mantidos muitos em uso por Gregos e Romanos.
Sobreviveram alguns nilómetros, a maioria associados a templos, como Filas, Edfu, Esna, Kom Ombo e Dendera mas o maior (90 degraus) dos remanescentes está na ilha Elefantina, em Assuão, reconstruído durante a dominação romana (a partir de meados do século I a. C.), mantendo-se bem preservado. Também os dominantes árabes do Egito copiaram os antigos e fizeram os seus nilómetros (ou repararam alguns), como um numa das ilhotas do Cairo (Geziret el-Rhoda), talvez aproveitando um anterior. Mas a medição não era feita em degraus, como entre os Antigos Egípcios, Gregos e Romanos, mas com a colocação de um pilar octogonal no fundo da rampa escavada.
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