Nuno da Câmara Pereira

Fadista e político, presidente do Partido Popular Monárquico e deputado da Assembleia da República, Nuno Maria de Figueiredo Cabral da Câmara Pereira nasceu a 19 de junho de 1951. É um dos maiores representantes do fado aristocrático e um dos grandes nomes da canção nacional surgidos na década de 1980. É também um monárquico fervoroso, opositor da linha traçada para o PPM pelo seu fundador Gonçalo Ribeiro Telles, contestando a legitimidade das aspirações ao trono, caso se instaurasse a monarquia, por Duarte Pio. É irmão do fadista Gonçalo da Câmara Pereira e familiar de Maria Teresa de Noronha, Frei Hermano da Câmara, Vicente da Câmara e Teresa Tarouca. É descendente, segundo se julga, do descobridor Pedro Álvares Cabral.
O fado sempre marcou presença em sua casa. A mãe cantava e passou o gosto aos seus filhos, pelo que todos os irmãos de Nuno da Câmara Pereira aprenderam alguns fados. Contudo, a profissionalização chegou bastante tarde. Engenheiro agrónomo de formação, foi técnico do Ministério da Agricultura, suinicultor e hortofloricultor. É autor do maior projeto de estufas de vidro em Portugal: seis hectares, na Azambuja.
Apadrinhado por João Ferreira Rosa, iniciou a sua carreira fadista no pós-25 de abril. Na altura, existia um forte preconceito para com o fado, com conotações ao regime salazarista. Assim, só em 1980 é que Nuno da Câmara Pereira conseguiu gravar o seu primeiro álbum. Seguiram-se outros 12, entre os quais A Terra, o mar e o céu (1988), Fado (1988), Guitarra (1989), Nuno da Câmara Pereira (1992), Atlântico (1992), Tradição: fados de Maria Teresa de Noronha (1993, com Vicente da Câmara e José da Câmara), Só à noitinha (1995) ou Jardim de Sonhos (2003). Todos com a chancela da Emi-Valentim de Carvalho, à exceção do último que é da Ovação. Alguns temas por si interpretados foram muito populares, como "Cavalo Ruço", "Meu Querido, meu Velho, Meu amigo", "Rainha Santa" ou "Fado do Ladrão Enamorado".
Pelo fado tornou-se uma figura pública. E começou a ter igualmente um desempenho político. Monárquico ativista defendeu uma linha para o Partido Popular Monárquico dissonante da do seu fundador, Gonçalo Ribeiro Telles. Inclusive acusa Duarte Pio de não ser o legítimo herdeiro do trono. O herdeiro da coroa é, segundo ele, um primo seu. Intitula-se cavaleiro número um da Ordem de S. Miguel de Ala, na qual continua a fazer cerimónias de investidura de cavaleiros.
Envolveu-se em várias questões políticas, e numa enorme polémica, levada aos tribunais, com Edite Estrela, então presidente da Câmara Municipal de Sintra. E uma outra, com Pedro Santana Lopes, então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, quando este decidiu fechar as portas e cobrar a entrada no Castelo de São Jorge. Mas foi o próprio Pedro Santana Lopes que o convidou a ingressar, como independente, nas listas do PSD nas eleições legislativas de 2005. E assim foi eleito deputado. Em 2001 foi o candidato perdedor à Câmara Municipal de Vila Viçosa, encabeçando as listas do PSD. Entretanto, foi eleito presidente do Partido Popular Monárquico.
Dividido entre a política e o fado, Nuno da Câmara Pereira assinalou um quarto de século de carreira, em 2003, com um espetáculo no Coliseu de Lisboa.
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