O Islão e a Ameaça Mongol

O Império Mongol, constituído por nómadas do vale de Onon, alcançou a sua unidade sob Gengis Khan e iniciou um longo período de conquista e submissão de outros povos, campanhas que seriam continuadas pelos seus descendentes: Irão e China do Norte; Rússia, Polónia e Hungria, entre 1229 e 1241; Turquia e Geórgia, em 1246 até 1248; China do Sul de 1249 a 1259. Hülegü, irmão do conquistador da China do Sul (Qubilaï), destruiu o califado de Bagdade e submeteu a Síria. O Islão submeteria os kans da Pérsia a partir de 1295.
A ação conquistadora dos mongóis enquadra-se no período correspondente à terceira vaga da expansão árabe, entre os séculos XI e XIV. Os muçulmanos deste período não se podem considerar nómadas capazes de um grande poder destrutivo como geralmente são caracterizados. São muçulmanos ortodoxos - sunitas - e proclamam-se os senhores absolutos do Islão em relação aos seus opositores, quer internos quer externos. Conseguem levar o Islão a territórios onde ainda não tinham penetrado, como a Ásia Menor e a África Negra. Na Índia algumas dinastias turcas expandiram-se bastante, mas tiveram de enfrentar o poder dos mongóis.
O principal ataque que o Islão sofreu durante os séculos XIII e XIV foi da responsabilidade dos mongóis. Estes, depois de consquistarem a Ásia Central, a China e a Europa Oriental, começaram a penetrar no mundo muçulmano: o Irão caiu nas suas mãos em 1231; em 1258 Bagdade foi arrasada; dois anos mais tarde Damas foi atingida. Depois de alguns anos de pacificação, os ataques tomaram novo alento, sob o comando de Tamerlão, com uma violência sem precedentes. Desta vez, o soberano mongol assumia a posição de feroz adversário do Islão, mas os seus sucessores, os Ilkhans da Pérsia, adotaram esta religião e contribuíram para a sua difusão em territórios a norte do Mar Negro e do Cáucaso entre os mongóis do Qiptchaq. Foram os turcos da Ásia Menor, os mamelucos do Egito e os turcomanos que colocaram obstáculos à expansão dos mongóis. No entanto, o islamismo dos mongóis não se mostrava profundo, sendo muitas vezes professado segundo as oportunidades, variando entre o sunismo e o shiismo.
Um dado de grande relevância para este período mongol do Islão foi o desenvolvimento das rotas comerciais do Próximo Oriente, cujos detentores eram os povos mongóis. Apesar disso, o período de dominação mongol não teve consequências duráveis para os territórios que foram conquistando.
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