oásis

A palavra oásis deriva de uma antiga palavra grega, idêntica, que designa uma área de vegetação isolada num deserto estéril, termo aquele que deriva do egípcio antigo uhat. Aparece devido à existência de uma fonte ou de um lençol freático suficientemente próximo da superfície, ou então junto a rios intermitentes que desaguam em pleno deserto, retendo água suficiente para manter formas vegetais perenes. Alguns podem estar em sopés de montanhas, em áreas de deposição e acumulação subterrânea ou superficial de escorrimentos pluviais das encostas. Sempre foram muito importantes e estratégicos nas rotas caravaneiras dos desertos, como lugares de pouso e aguada ou de comércio, além de habitabilidade, que levou ao surgimento de localidades sedentárias. Arqueologicamente, um oásis é uma área criada pelo homem devido à existência de água, ou seja, é a humanização de um espaço verde em pleno deserto, tornado habitável e economicamente pertinente pela introdução de um sistema de gestão hidráulica. É um lugar artificial com culturas agrícolas graças à irrigação e com um aglomerado urbano associado à agricultura possível (quase sempre, enquadrada em palmeirais). As palmeiras ocupam o estrato mais alto, seguidas das árvores de fruto, e abaixo destas vêm as culturas hortícolas, num aproveitamento máximo e intensivo da área cultivável e irrigável. Tudo gira em torno da água, que ordena o espaço e determina a atividade económica e carácter estratégico do lugar. Mas nem todos os desertos têm oásis, como o Kalahári, na África Meridional, apesar de terem água em certos pontos, ou os desertos do outback australiano, Góbi na Ásia Central, o Rub al-Khali, no sul da Península Arábica, o de Sechura (Peru) ou de Atacama, no Chile, entre outros.
O Egito em si é um imenso oásis, potenciado pelo seu rio, o Nilo, o maior rio do mundo. Heródoto dizia que o Egito "é um dom do Nilo", repetindo o que outros antes diziam. De facto, se atentarmos às definições possíveis de oásis acima enunciadas, facilmente assimilamos o Egito a um grande e antigo oásis. Um rio que corre entre dois grandes desertos do grande deserto maior que é o Sahara: a oeste do Nilo, está o árido e tórrido deserto da Líbia, a leste o não menos inóspito mas mais montanhoso deserto Arábico, a confinar com o mar Vermelho e, a nordeste, com a não menos desértica península do Sinai. Os oásis históricos são mais importantes no deserto da Líbia: o mítico Siwa, Farafra Kharga, Bahariya e Dakhla. No deserto Arábico, recordem-se os oásis onde se localizam alguns mosteiros coptas históricos, como S. Antão (ou António) ou S. Paulo (não S. Paulo de Tarso, mas S. Paulo Primeiro Eremita). Todos os oásis do deserto da Líbia estão situados num eixo norte-sul paralelo ao Nilo, alguns mesmo abaixo do nível médio do mar. A ocupação humana nestes oásis remonta à pré-História, mantendo-se até aos dias de hoje, ininterruptamente. Dos oásis acima referidos, todos foram dominados pelos Egípcios desde o Império Antigo (c. 2660-c. 2180 a. C.), com exceção do de Siwa, ocupado apenas na XXVI dinastia (525-404 a. C.), dita "persa", na Época Baixa. Arqueologicamente, é uma das áreas mais recentemente estudadas pela egiptologia, remontando em termos sistemáticos ao último quartel do século XX. Sabe-se hoje que serviam como escudos ocidentais do vale do Nilo na época faraónica, contra os Líbios, principalmente, além da função de todos os oásis de todos os tempos, a de apoio às caravanas em termos de pouso e aguada. Algumas delas iam para Oeste, outras para Noroeste, outras para o Sudão, para o Darfur, e todos os oásis serviam de ponto de apoio na rota, ligadas a cidades do vale (principalmente Assiut ou Esna, no Alto Egito). Como refere Luís de Araújo, o maior egiptólogo português vivo, nos Impérios Médio (c. 2040-c. 1780 a. C.) e Novo (c. 1560-c. 1070 a. C.), os oásis líbios foram guarida de refúgio de celerados e fugidos à justiça ou de perseguições várias, além de lugar de exílio de grupos políticos banidos, como sucedeu na XXI dinastia (ou Tanita, 1069-945 a. C.), no Terceiro Período Intermédio, época dominada pelo clero de Amon, de Tebas.
Siwa, recorde-se, antigamente Sekhet-imit, ou Ammonium, para os Romanos, a 560 km a oeste do Cairo, no Noroeste do atual Egito, ganhou importância histórica a partir da XXVI dinastia (664-525 a. C.), até pelo menos ao domínio romano, que durou até fins do século IV da nossa era. Com templos dedicados a Amon, foi visitado (c. 331-330) por Alexandre o Grande (352-323 a. C.), que ali se refugiou em descanso e para se legitimar como faraó e filho reconhecido daquele deus egípcio.
Apesar de outros oásis existirem com ocupação humana antiga em vários desertos históricos do Crescente Fértil, os do Egito assumem-se como os mais notáveis e com uma identidade própria enquanto oásis, já que muitos outros são grandes cidades do Médio Oriente e perderam o fascínio das aldeias e pequenas cidades envolvidas por palmeirais ou culturas agrícolas.
Como referenciar: oásis in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-21 14:53:15]. Disponível na Internet: