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Palácio de Monserrate
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O Palácio de Monserrate, em Sintra, é um produto do romantismo e é o espelho da vontade e cultura de dois ingleses de poderosos recursos: William Beckford, que transformou a sua casa neoclássica de Fonthill, em Wiltshire, numa abadia medieval e Francis Cook, riquíssimo comerciante e colecionador de arte.

Pensa-se que no local onde se ergue o palácio, terá vivido um cavaleiro moçárabe que depois de morto foi venerado com fervor. Posteriormente, no século XII edificou-se sobre o seu túmulo um santuário dedicado à Virgem. Em 1540 existia no local uma capelinha, reconstruída pelo padre Gaspar Preto que a dedicou a N. Sra. de Monserrate.

Palácio de Monserrate em Sintra
Palácio de Monserrate, em Sintra
Janela do Palácio de Monserrate
Em 1718, esta quinta, também denominada "Quinta da Bela Vista", estava na posse de Caetano de Melo e Castro, 36.º Vice-Rei das Índias. Foi a sua neta D. Francisca Almeida Pimentel que, em 1790, arrendou Monserrate, pelo prazo de 9 anos, ao inglês Gerard Devisme, destacado membro da colónia inglesa que aqui realizou importantes obras sobre a antiga casa dos Castros. Com base no testemunho de duas gravuras de 1795, é possível vislumbrar um edifício ladeado por duas torres, com torre de menagem, acastelado, dotado de cobertura cónica. Em 1794 Devisme partiu abruptamente para o seu país natal.

É precisamente nesta data que Monserrate é subarrendada a William Beckford que, além de realizar alguns restauros, investe a sua força criadora na envolvente paisagística. Beckford trouxe a Monserrate uma vivência grandiosa, perfeitamente sintonizada com a atmosfera romântica do local. Quando regressa a Inglaterra, a casa cai num abandono progressivo, cantado inclusivamente por Lord Byron, abandono esse que só teve termo quando o milionário inglês, Sir Francis Cook (1817-1901), ligado ao comércio de têxteis, a adquiriu em 1856. A recuperação da quinta teve que esperar ainda dois anos pelo arquiteto James Knowles Jr., que seguiu a traça do palácio neogótico.

Cook rodeou-se ainda de três homens talentosos, imbuídos do ideal romântico, em cuja natureza se inspiram: William Stockdale, paisagista; William Nevil, botânico e Francis Burt, jardineiro. Neste jardim de surpresas e encantamentos, clareiras, bosques, relvados e vegetação tropical exuberante, conjugam-se sabiamente mais de mil espécies vindas dos mais diversos pontos do mundo.

O edifício funde-se na paisagem, numa justaposição de sólidos volumes enquadrados por vigorosas cornijas, combinando elementos retos com uma torre circular e cúpulas bolbosas. Este palácio neogótico é rasgado por janelas ogivais, antecedido por um pórtico enquadrado por sólidos entablamentos, ornados de modilhões, volutas e arcadas trilobadas. No seu interior, ostenta uma decoração eclética de folhagem relevada, rendilhados finíssimos, bustos, arabescos e arquiteturas de sabor indo-persa. A sala de música, com a sua cúpula extravagante, combina o branco da pedra com o dourado dos pormenores delicadamente esculpidos. A galeria mourisca, ritmada pelas colunas em mármore rosa, parece querer multiplicar indefinidamente os arcos polilobados. A pedra desmaterializa-se em bordaduras e rendilhados, a par com o exotismo dos estuques de artistas do Norte do país.

O palácio era adornado por obras belíssimas e raras, hoje desaparecidas. A histórica capela, ou o que dela restou, perdeu-se na vegetação. Este edifício, classificado em 1978 como Imóvel de Interesse Público, conseguiu uma osmose perfeita com a natureza exuberante, quer na sua relação imediata com ela, quer pela sua perceção através das arcadas em ferradura e das janelas ogivais.
Cook foi feito visconde de Monserrate em 1870. Por volta de 1946-47, o seu bisneto, Sir Francis, vendeu o palácio a um particular, sendo a quinta posteriormente adquirida pelo Estado Português.

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Como referenciar
Palácio de Monserrate na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$palacio-de-monserrate [visualizado em 2026-06-09 09:58:01].

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