papel

A palavra "papel" deriva de papyrus, que era o nome dado pelos egípcios à planta de onde extraíam o papel. A forma mais antiga desta palavra em português era papilo (papel de linho ou de trapo), onde se evidencia mais claramente o étimo egípcio. O papiro, ou o papel feito através dessa matéria prima, remonta a 3600 a. C. Contudo, foi na China, e não no Egito, que surgiu o papel propriamente dito, inventado por T'sai-Lun no século I d. C. O papel era formado por uma pasta derivada das fibras do bambu e da amoreira. No século III a invenção do papel chega ao Turquestão, tendo seguido daí para a Índia (século VI). Fundaram-se fábricas em Samarcanda, depois em Damasco. Os árabes tornaram-se os fornecedores de papel do ocidente, através do norte de África até Fez, de onde seguia para a Península Ibérica e passava então para o resto da Europa. Fez começou depois a produzir papel, tendo chegado a ter quatrocentas fábricas. Mais tarde, o papel começou a ser feito em Valência, por Judeus, contando, pela importância que tinha, com a proteção dos Reis Católicos de Aragão, tendo ganho muita fama devido à sua qualidade.
Os papéis mais antigos conhecidos no ocidente são documentos hebraicos que datam do século VIII.
O progresso e a aceitação do papel não se fez sem lentidão e resistência, devido à sua fragilidade. Afonso X, o Sábio, de Castela, decretou especificamente os documentos que não podiam ser escritos em papel, mas apenas em pergaminho; D. Dinis prosseguiu, entre nós, esta atitude; o mesmo aconteceu na Alemanha com Frederico II. Contudo, a procura era muito grande e o fabrico de pergaminho ou de papiro não supria as necessidades. O fabrico de papel foi-se então espalhando de Espanha e Itália, no século XIV, a França, à Alemanha e à Áustria. Em Portugal a produção de papel surgiu em primeiro lugar em Leiria, no início o século XV (1411), depois na Batalha (1514), em Alcobaça (1537) e em Alenquer (1565). O papel feito de pasta de madeira, que viria ser uma autêntica revolução neste domínio, foi uma invenção portuguesa, surgindo pela primeira vez no mundo na fábrica de Vizela, fundada em 1802 por Moreira de Sá, inventada nos laboratórios da dita fábrica. Esta fábrica foi completamente destruída durante as invasões francesas pouco depois da invenção do papel de pasta de madeira (1808), o que impossibilitou a sua divulgação pela Europa. Foi esta descoberta que possibilitou a revolução jornalística.
As matérias primas usadas no fabrico do papel foram variadíssimas: do bambu ao linho ou do cânhamo ao trapo, para, finalmente, se ter chegado à madeira.
O processo de fabrico, inicialmente artesanal, começava pela recolha da matéria prima, procedendo-se depois à sua maceração, fermentação e mistura com água. Só no século XIX se começou a branquear o papel, usando para tal o cloro.
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