Parque Natural do Douro Internacional

O Parque Natural do Douro Internacional foi criado a 5 de junho de 1996, segundo a Resolução de Conselho de Ministros n.º 53/96. O Decreto Regulamentar do Parque Natural do Douro Internacional foi aprovado em Conselho de Ministros a 30 de dezembro de 1997.

Ocupa uma área de 86 500 hectares, integrando parte dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo. O Parque Natural do Douro Internacional abrange o troço fronteiriço do rio Douro (numa extensão de cerca de 122 km), incluindo o seu vale e superfícies planálticas confinantes, e prolonga-se para sul através do vale do rio Águeda, zona de características análogas à anterior.
O troço internacional do Douro faz a transição através de acentuado declive longitudinal (desnível de cerca de 400 metros) entre os horizontes aplanados da meseta e a bacia inferior, já em território nacional. A parte norte do Parque Natural corresponde à zona de menor influência atlântica de Trás-os-Montes, sendo constituída por um extenso planalto, com altitudes rondando os 700 a 800 metros. O vale é bastante encaixado com encostas escarpadas essencialmente graníticas.

À medida que se avança para sul o vale apresenta-se mais aberto, com fundos de vales aplanados, permanecendo as vertentes escarpadas tal como as pequenas áreas planálticas e os relevos residuais encimados por quartzitos. Essa zona onde o vale já se assemelha ao "Douro vinhateiro" caracteriza-se pelo seu microclima, com escassa precipitação e amenas temperaturas invernais, fazendo parte da designada Terra Quente Transmontana.

A diversidade e variabilidade das condições ecológicas do território atualmente integrado no Parque Natural do Douro Internacional possibilitou o desenvolvimento e estabilização de um manto vegetal extremamente rico e diversificado.

No que diz respeito à flora, as formações vegetais que se encontram presentes no parque são: os azinhais, os sobreirais, os carvalhais, os zimbrais e os giestais.

Quanto à fauna, o Douro Internacional constitui uma das zonas mais importantes no contexto nacional, e mesmo internacional, tendo sido integrada na lista dos Biótopos CORINE e proposta para classificação como zona especial de conservação e zona de proteção especial. As aves são o grupo mais emblemático da área devido à quantidade de espécies comparativamente a outras áreas do interior do país. Estão confirmadas 60 espécies de nidificantes até ao momento.

Salientam-se as aves nidificantes rupícolas, ou seja, as que utilizam os afloramentos rochosos para nidificar. São os casos da cegonha-preta, do abutre-do-Egito, do grifo, da águia-real, da águia-de-bonelli, da falcão-peregrino, do andorinhão-real, do chasco-preto, do bufo-real e da gralha-de-bico-vermelho. Existem importantes manchas de bosque e matos de vegetação autóctone que constituem o refúgio de diversa avifauna, destacando-se as populações de milhafre-real, de açor, e de pega-azul.

Por outro lado, as zonas de aproveitamento agropecuário incluídas no Parque Natural são extremamente importantes como área de alimentação das populações de aves necrófagas e predadoras que nidificam nas arribas, daí que o binómio arriba-planalto seja indissociável. A inclusão de áreas planálticas e montanhosas permite a ocorrência de uma população de mamíferos rica e diversificada onde se destacam o lobo, a lontra, o gato-bravo e o corço.

Salienta-se ainda o grupo dos quirópteros com o morcego-de-peluche, o morcego-de-ferradura-grande, o morcego-de-ferradura-pequeno, o morcego-rato-grande, assim como os micromamíferos toupeira-de-água e o rato de Cabrera. Por último, refiram-se também os répteis e os anfíbios, grupos que detêm uma elevada representatividade de espécies relativamente ao número total de espécies em Portugal e na Península Ibérica. É de assinalar a ocorrência dos seguintes endemismos ibéricos: cobra-de-pernas-de-cinco-dedos, cágado-de-carapaça-estriada, tritão-de-ventre-laranja, sapo-parteiro-ibérico e rã-de-focinho-pontiagudo.

Ao nível do património arquitetónico destaca-se a existência de exemplos de arquitetura religiosa (igrejas e capelas), arquitetura tradicional de feição erudita (casas solarengas) ou popular (edifícios isolados ou conjuntos arquitetónicos, para além de outros elementos diversos como cruzeiros, alminhas, pontes). Uma pequena parte deste património está classificada como Monumento Nacional, Imóvel de Interesse Público ou como Valor Concelhio.

Quanto a património cultural, a área do Douro Internacional é muito rica no que toca a tradições etnológicas, artesanato e gastronomia. Para além de um artesanato muito diversificado, as referências mais significativas nesta região em termos etnológicos são os Pauliteiros de Miranda, no concelho de Miranda do Douro, bem como a existência do dialeto mirandês.

As festas, feiras e romarias que ocorrem um pouco por toda a área constituem fortes manifestações de comércio local.

Na gastronomia, é muito reconhecida a "posta" - carne de vitela de raça mirandesa assada na brasa. São também importantes os vinhos, o azeite, o queijo de ovelha e de cabra, o mel, os frutos secos e ainda os enchidos.

No que concerne ao património arqueológico existente na zona, este é igualmente vasto e abrange desde inscrições rupestres, testemunhos da ocupação romana (povoados, necrópoles, pontes, estrada romana), castelos e atalaias medievais, até aos exemplares de arquitetura do ferro de finais do século passado (Barca d'Alva).
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