Périplo de Cheng Ho

Cheng Ho, eunuco chinês que viveu entre 1371 e 1435, passou à história pelos seus feitos como navegador. Sabe-se que o seu nome verdadeiro era Ma Sanbao, substituído por Cheng Ho pelo imperador Ming Chengzu. Por incumbência deste, que começou o seu reinado em 1403, recaiu sobre o navegador a responsabilidade do comando de uma frota que daria resposta a dois desejos do soberano: abrir a china ao comércio com outros países e saber do paradeiro do seu sobrinho, herdeiro do trono, o qual derrotara, mas não sabia se morrera no confronto. Bem apetrechado de navios e de homens, estes últimos somavam 29 000, partiu numa primeira viagem em 1405, dando cumprimento ao projeto, à qual se seguiram outras seis viagens ao longo de 28 anos (1407, 1409, 1413, 1417, 1421 e 1431). Percorreu uma enorme extensão de território a partir da costa oriental da China, navegou no Índico, passou pela Índia, Golfo Pérsico e Mar Vermelho até aportar à costa oriental africana, tendo depois feito incursões significativas neste último continente.
O primeiro dos objetivos foi largamente alcançado e, como nada mais se soube do sobrinho do imperador, este acreditou que estaria de facto morto logo após as primeiras viagens efetuadas, decidindo, no entanto, continuar as expedições devido às necessidades de alargamento comercial da China. Teve que se pôr termo a estas expedições devido à séria ameaça manhu. Destas viagens ficaram preciosos relatos que nos dão conta da cultura dos povos e países (num total de 36, em termos atuais) por onde Cheng Ho passou, o que o aproxima do navegador italiano Marco Polo.
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