Poesia concreta e experimental

Movimento artístico que radica na experiência da escola concretista brasileira (1956) e que convergirá em Portugal com o desenvolvimento do experimentalismo, que terá como representantes na teorização e na criação de poesia experimental, a partir dos anos 60, entre outros, Ana Haterly, E. M. de Melo e Castro ou M. S. Lourenço. No artigo "Poesia Concreta" subscrito pela redação da revista Tempo Presente (1959-1961), logo, da responsabilidade, entre outros, de Goulart Nogueira, um dos divulgadores da poesia concretista em Portugal, são definidos os princípios e os modelos do Concretismo. Segundo esse texto, num momento em que a "civilização chegou a um termo-limite, em que rebenta os quadros tradicionais e os reelabora, em que, aproveitando os ensinamentos, as conquistas e as formas adquiridas, sente a necessidade de os revolucionar segundo novas estruturas", o concretismo propõe a criação de uma nova linguagem, de uma nova expressão e de uma nova relação com o mundo exterior. Obrigando a uma reeducação artística, nesta proposta estética, "O som, o verbo, a linha, a luz (com as cores), as formas plásticas e, portanto, a música, a literatura, as artes plásticas são submetidas a decomposição, a interaproveitamento, a análise e novas sínteses, experiências laboratoriais, estudo de estruturas e do movimento". Arte depurada da expressão subjetiva, o principal problema que preocupa o concretismo é o problema da forma, "da forma como estrutura, da estrutura dinâmica". Depois de conhecer os princípios e leis que regem toda a forma, nos objetos da Natureza e nos objetos artísticos, trata-se de criar objetos regidos pelas mesmas leis, não sob a forma de imitação, mas "paralelos aos da Natureza". No que diz respeito à poesia concretista, impõe-se abandonar a "estrutura silogístico-discursiva" a "técnica analítico-discursiva", tendendo para a "técnica sintético-ideogrâmica", pela qual as palavras devem ser ao mesmo tempo: "palavras com o seu conteúdo ideético e evocador do objeto ("cargas de significado"); palavras-objetos com a sua representação própria e independente (som, forma visual); palavras-elementos dispondo-se, umas e outras, entre si, como relações (como as visuais e as de espaço)". Nesta medida, o poema encontra autonomia em si mesmo: já não é expressão de um conteúdo, mas o conteúdo provém do objeto que é o poema, da forma. Indicando como precursores os portugueses Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor e Almada Negreiros, enuncia alguns pontos do roteiro concretista, como Mallarmé, Gertrude Stein, James Joyce ou Ezra Pound e alguns dos seus representantes na atualidade: os brasileiros Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Vol#960; o português Fernando Guedes e, noutros países, Eugénio Gomringen, Pierre Boulez, Stockhausen.
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