Política Internacional do Estado Novo

Nos começos da Guerra Civil Espanhola, em 1933, o governo português de Oliveira Salazar tomou partido pelas forças do General Francisco Franco, e em 1939 assinou um tratado de amizade e um pacto de não agressão com Espanha. A este acordo foi acrescentado um protocolo, a 29 de julho de 1940, que assegurava a neutralidade destas duas nações no decurso da Segunda Guerra Mundial.
Anos depois, em 1943, num momento em que as potências do Eixo começavam a estar bastante enfraquecidas, Portugal permitiu que os Aliados utilizassem a base militar das Lajes, nos Açores.
No período em que decorreu este conflito (1939-1945) a economia foi muito afetada. A indústria ligada ao peixe ressentiu-se da crise provocada pela guerra, o volume das exportações diminuiu e um sem número de refugiados de guerra, nomeadamente judeus em trânsito para a América, chegaram até Portugal. A conjuntura internacional piorou quando os japoneses avançaram sobre as Índias Orientais, ameaçando os territórios coloniais na Ásia: o território de Timor Leste, por exemplo, foi capturado em 1942. Pelo final da guerra, o desemprego e a pobreza tinham atingido proporções alarmantes, apesar das fortunas do volfrâmio, exportado para a Alemanha.
A oposição ao regime de Salazar era intensa mas fortemente reprimida pelo poder instituído; no entanto os candidatos dos sindicatos monopolizaram as eleições de novembro de 1945. No mês de maio de 1947, após o derrube de uma falhada tentativa de revolta, inúmeros líderes sindicais e oficiais do exército foram exilados nas Ilhas de Cabo Verde. Chegava-se a um período de desencanto. O final da guerra deu azo a inúmeras manifestações de regozijo e esperava-se que, com o triunfo das Democracias, o regime desse mostras de abertura. Contudo, tal não viria a suceder e os velhos métodos repressivos mantinham-se. As consequências do resultado da guerra viriam a marcar a política portuguesa nas décadas seguintes.
Nesta altura, o marechal Carmona era reconduzido à presidência do país em fevereiro de 1949, sem ter qualquer oposição. Dois anos volvidos sobre a reeleição, Carmona morria e era substituído, em julho, pelo general Francisco Craveiro Lopes, um apoiante de Salazar.
No período do pós-guerra, portanto nos anos 50, Portugal desenvolveu contactos com os Estados Unidos da América. Em 1958, na sequência de grandes pressões, internas e externas, Salazar permitiu, a aceitação de apresentação de um candidato da oposição. Assim, Humberto Delgado, concorreu às eleições presidenciais; todavia foi derrotado pelo candidato do regime, o almirante Américo Thomaz (posteriormente reeleito em 1965 e 1971), num processo, como de costume, pouco claro.
Na década seguinte, o regime debateu-se com a oposição e o surgimento de grupos independentistas nos territórios ultramarinos. A Índia, por exemplo, anexou Goa, Diu e Damão, territórios coloniais portugueses, em 1961, e em África rebentavam revoltas em Angola (1961), na Guiné (1962) e em Moçambique (1964).
A resposta do governo foi a intensificação das forças armadas, embora também se tivesse tentado implementar medidas que proporcionassem o progresso destes territórios. Portugal estendeu, inclusivamente, o conceito de cidadania aos territórios africanos de expressão portuguesa, uma medida que não fez parar os conflitos entre o governo português e as colónias rebeldes, prolongados na década de 70. Também neste campo se podem apontar os resultados da Segunda Guerra Mundial como marcantes neste processo. Com o final do conflito, desmoronava-se, a pouco e pouco, o poderio colonial europeu. Salazar, no entanto, mantinha-se na firme vontade de não aceitar esse processo irreversível. Era, dir-se-ia, o concretizar da política do "orgulhosamente sós" que fez questão em manter enquanto esteve no poder.
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