Portalegre

Aspetos geográficos
Cidade, sede de concelho (pop.: 24 929 hab.) (2005) e capital de distrito, fica situada no Alto Alentejo, a uma altitude média de 480 m, na encosta de uma das elevações que formam o sistema orográfico da serra de São Mamede. O concelho possui uma área de 448,1 km2 e tem 10 freguesias: Alagoa, Alegrete, Carreiras, Fortios, Reguengo, Ribeira de Nisa, S. Lourenço, S. Julião, Sé e Urra. Dista 230 km de Lisboa e 359 km do Porto.
O distrito integra-se no Alto Alentejo e é limitado a norte pelo de Castelo Branco, a sul pelo de Évora, a oeste pelo de Santarém e a leste por Espanha. É banhado pelos rios Caia, Sever e seus afluentes, e por algumas ribeiras. O seu relevo é razoavelmente montanhoso, com as serras de S. Mamede, Nisa e Marvão. A primeira atinge uma altitude de 1025 metros. O clima apresenta grandes amplitudes térmicas, com excessivo calor no verão e muito frio no inverno.
O distrito compreende 15 concelhos: Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte, Nisa, Ponte de Sor, Portalegre e Sousal.
O natural ou habitante de Portalegre denomina-se portalegrense.

História e monumentos
Não há dados certos sobre a fundação de Portalegre, mas sabe-se que se trata de uma povoação muito antiga, reconstruída no reinado de D. Afonso III, que lhe outorgou foral em 1259. D. Dinis mandou fortificá-la com castelo e dupla muralha, com 12 torres e 8 portas. Passou a cidade em 1550, no reinado de D. João III.
Do património arquitetónico, destacam-se o castelo, em bom estado de conservação e com algumas atalaias ainda em pé; a catedral, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, com três naves, cujas abóbadas são sustentadas por três colunas góticas, de mármore; as igrejas de Santa Maria do Castelo, Santa Maria a Grande e S. Vicente, os conventos de Santa Clara e S. Bernardo e algumas casas nobres dos séculos XVII e XVIII, como o Palácio Amarelo, a casa dos condes de Melo, entre outras.
O Museu Regional, instalado no antigo Convento de S. Bernardo, e a Casa-museu de José Régio, com obras do escritor, também são polos culturais importantes na região.
Os arredores da cidade são muito interessantes do ponto de vista paisagístico, sobretudo as paisagens que se avistam do monte da Penha, da serra de S. Mamede e do miradouro Salão Frio, a quatro quilómetros da cidade, situado num ponto alto da serra de Portalegre.
O património estende-se também aos outros concelhos. É o caso do Convento da Senhora da Estrela e da Igreja Matriz de Marvão, do Castelo de Alter do Chão, da Igreja Matriz de Sousel, do conjunto do antigo convento da Ordem de Avis, no concelho de Avis, do aqueduto da Amoreira e da capela dos Ossos, em Elvas, entre outros.

Tradições, lendas e curiosidades
No concelho de Portalegre realizam-se as seguintes festas: em maio, o Senhor dos Aflitos, a Senhora da Penha e as festas da cidade; em julho, S. Cristóvão e S. Sebastião; em agosto, Nossa Senhora da Esperança, Nossa Senhora da Alegria e S. Miguel; em setembro, Senhor do Bonfim e Nossa Senhora dos Remédios.
O mês de agosto é particularmente fértil em festividades: Senhor Jesus do Outeiro e feira anual, em Alter do Chão; Festa da Santa Casa da Misericórdia, em Arronches; Senhora da Penha, Feira de S. Lourenço e Festival Internacional de Folclore, em Castelo de Vide; Festival Internacional de Folclore, em Gavião; Feira Anual, em Campo Maior.
As festas prolongam-se ao longo do ano, nos vários concelhos que compõem o distrito, salientando-se ainda as celebrações da Páscoa em Castelo de Vide e a romaria do Senhor Jesus da Piedade em Monforte, no mês de setembro.
Em Alter do Chão, encontra-se a antiga coudelaria de Alter do Chão. Um dos elementos característicos desta região é o monte agrícola, geralmente construído na zona mais elevada da propriedade.
O podengo português pequeno é uma raça canina tradicional do Alto Alentejo, sendo um excelente cão de caça ao coelho.
No artesanato salientam-se os trabalhos em cortiça, madeira, tarros, buinho, chifre, vasilhames de barro, olaria da Flor da Rosa (Crato), barros de Nisa (moringues, bilhas e cantis, a chamada louça de água), cestaria, tecelagem, rendas (bilros e frioleiras), bordados (alinhavos e crivos), mantas, flores artificiais e trabalhos em ferro forjado.

Economia
Portalegre é um importante centro comercial e industrial, evidenciando-se no panorama alentejano. Destaca-se a indústria têxtil, com o fabrico de tecidos de lã, fibras sintéticas e tapeçaria. Existem unidades industriais de fabrico de rolhas, latoaria e refrigerantes. A agricultura continua a ser uma atividade de grande significado na economia da região, produzindo-se cereais (trigo, milho, centeio e cevada), azeite, cortiça, castanhas e vinho. Cria-se gado bovino, ovino, caprino, suíno e cavalar, estando a suinicultura bastante desenvolvida, suportando a produção de enchidos.
O turismo, nomeadamente o turismo rural, apresenta-se cada vez mais como uma atividade crescente e com forte potencial para o desenvolvimento do distrito.
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