Artigos de apoio

Questão do Sudão (1955-1972)
Estado da África Oriental, na região do Alto Nilo. A população do país divide-se entre árabes (no Norte) e negros (no Sul). Esta divisão estará na origem de graves problemas sociopolíticos e religiosos que afetaram o Sudão desde que se tornou independente.
Durante o século XIX, a região oscilou entre o domínio árabe, egípcio e britânico. Na primeira metade do século XX, o Sudão surge como uma espécie de condomínio anglo-egípcio precisamente para combater a influência dos árabes na região. Em 1951, Faruk, rei do Egito, tomou o título de rei do Sudão. Diversas reivindicações nacionalistas vão dar origem a vários acordos, nos quais é prevista uma autonomia cada vez maior. As primeiras eleições para um Parlamento sudanês têm lugar em 1953. Em janeiro de 1954, entrava em funções o primeiro governo inteiramente composto por sudaneses (embora quase todos do Norte) e iniciava-se um período de substituição de estrangeiros, que ocupavam postos políticos e militares, por naturais do país. No entanto, este programa de sudanização, completado em 1955, acentuava as diferenças geográficas, económicas e sociais entre o Norte e o Sul. Em grande medida, esta questão era do tempo da "colonização" inglesa: enquanto no Norte (Gezira) se estabeleceram indústrias, escolas, uma universidade e uma linha de caminho de ferro, no Sul nada disso existia. Por outro lado, os britânicos mantiveram os missionários cristãos afastados do Norte, autorizando-os, pelo contrário, a desenvolver alguma atividade no Sul. Se é certo que estes pouco fizeram na área da educação, foram contudo responsáveis pelo exacerbamento das diferenças culturais entre as duas áreas. Os do Sul foram quase sempre excluídos dos postos governamentais e os seus responsáveis começaram a encarar o novo governo como uma simples substituição da soberania inglesa. A 19 de agosto registou-se um motim das unidades sulistas do exército sudanês, esmagado pelas forças governamentais, e que levou, inclusivamente, à intervenção anglo-egípcia. Contudo, este facto estimulou os responsáveis do país a proporem um plebiscito para decidir a independência, que não se chegou a realizar: a 19 de dezembro de 1955 o Parlamento declarou o Sudão um Estado independente e a nova República foi formalmente declarada a 1 de janeiro. Os primeiros anos da independência foram de grande instabilidade, registando-se diversos confrontos, golpes de Estado, suspensões das liberdades democráticas, etc. Os conflitos entre os árabes do Norte e os negros do Sul prosseguiram também, tendo havido conflitos em 1961, 1964, 1965 e 1967. Em 1969, um grupo de oficiais radicais, liderado pelo coronel (depois marechal) Gaafar Muhammad al-Numeiry, tomou o poder e estabeleceu um governo supervisionado por um conselho revolucionário. Os problemas com o Sul continuaram. Em 1972, Numeiry torna-se o primeiro presidente eleito do Sudão, consolida o seu poder e negoceia um cessar-fogo com os rebeldes do Sul que, entretanto, tomavam posições secessionistas. A nova Constituição, aprovada em 1973, concedia uma certa autonomia a esta região e acalmava, por algum tempo, as tensões.
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