Ramalhete

Em Os Maias, de Eça de Queirós, o Ramalhete é a residência da família Maia, em Lisboa, na Rua de S. Francisco, às Janelas Verdes. Deve o nome ao "grande ramo de girassóis fazendo painel no lugar do escudo de armas!" Logo no início da obra, diz o narrador que "A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete. Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspeto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação do reinado da senhora D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo, assemelhar se ia a um colégio de Jesuítas." (Cap. I)
Desde a morte de Pedro da Maia, o Ramalhete esteve desabitado e em ruínas; a partir do outono de 1875, recupera a vida, tornando-se esplendoroso, pois Afonso da Maia resolvera instalar-se nele com o seu neto Carlos; desde a morte de Afonso, começa a decadência e em janeiro de 1887, após uma longa viagem de dez anos, Carlos encontra-o frio e abandonado.
O Ramalhete, no Bairro das Janelas Verdes (junto ao Hotel "As Janelas Verdes" e ao Museu Nacional de Arte Antiga), é o cenário privilegiado do romance Os Maias. Logo no início, Vilaça refere-se às paredes que foram sempre fatais; aí irão morar Afonso e Carlos da Maia, personagens centrais da obra.
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