realismo (sociologia)

Uma primeira aceção do termo realismo corresponde ao primado do real sobre as ideias. O realismo da coisa ou do fenómeno no mundo tem assim como seu corolário epistemológico o modelo representativo e cognitivista da linguagem, segundo o qual esta tem uma função representativa do real. Trata-se de um modelo dualista da linguagem - da representação e da referência, do real e do seu duplo -, de acordo com o esquema epistemológico clássico da relação sujeito-objeto e da correlativa exterioridade de um dos termos em relação ao outro.
Em termos sociológicos, o realismo defende que o mundo social é uma realidade em si mesma, factual, uma entidade positiva. O realismo tende a fazer da sociedade uma entidade distinta dos indivíduos. Marx tem uma conceção realista da classe social. Ele considera que o facto determinante da divisão da sociedade em classes é a estrutura do modo de produção capitalista, que faz das classes sociais conjuntos reais e objetivos. Os aspetos que estão subjacentes ao realismo da noção de classe são o facto de a classe ser definida pela sua inserção na luta de classes e a consciência que ela tem de ser uma classe. Também Gurvitch define a classe social, em termos realistas, como "grupos particulares de facto e à distância...".
A classe social é, para ele, um tipo particular de agrupamento que se distingue dos outros por caracteres que lhe são próprios. A noção de classe é assim entendida como uma realidade, um facto que o sociólogo tenta definir socorrendo-se de diversos critérios.
Durkheim, por seu lado, utiliza uma conceção simultaneamente realista e holista da "sociedade", concebida como uma entidade indiferenciada. A questão que se pode colocar é a de saber se os coletivos, como a "sociedade" ou a "classe social", correrpondem a um todo concreto, ou a uma coleção de indivíduos, como pretende o realismo. Esta posição do realismo é contrária ao nominalismo dos sociólogos alemães, para os quais as construções teóricas das Ciências Sociais têm um carácter ideal, como considera Weber (segundo ele, os tipos ideais são construções simbólicas e instrumentos que permitem organizar realidades diversas), ou um carácter formal, segundo a terminologia de Simmel.
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