retornado

A independência das colónias portuguesas de África levou ao regresso, em 1975, de mais de meio milhão de cidadãos nacionais, vindos sobretudo de Angola e Moçambique. Na maior parte dos casos, o regresso deu-se de uma forma precipitada, com abandono dos haveres, devido às incertezas quanto ao futuro político dos novos países (sendo já possível prever cenários de guerra civil) e à situação pessoal dos antigos colonos. Assim, estes retornados viram-se na contingência de recomeçar as suas vidas na metrópole.
Não era de há muito a migração em massa de portugueses para as colónias, pois só se dera realmente nas três ou quatro décadas anteriores. Na verdade, foi no momento em que os outros imperialismos estavam a desaparecer (o Reino Unido concedeu a independência à Índia em 1947; o Congo Belga, depois Zaire e agora República Democrática do Congo, autonomizou-se da Bélgica em 1960; a França perdeu a Argélia em 1962) que o surto migratório português se intensificou em direção a África. Nas colónias, os portugueses tinham um papel de liderança das atividades económicas e ocupavam praticamente todos os lugares da administração. A sua partida teve consequências negativas para os próprios países africanos, que se viram praticamente desprovidos de quadros técnicos.
Em Portugal, o fenómeno dos retornados teve grande impacto na sociedade e na economia. As dificuldades de alojamento, a situação financeira precária desses cidadãos e a dimensão limitada do mercado de trabalho foram os principais problemas a resolver. Foram tomadas medidas no âmbito de diversos programas governamentais de assistência, desenvolvidos pela Secretaria de Estado dos Retornados, depois transformada em Comissariado para os Desalojados.
De qualquer forma, os retornados constituíram uma notável força produtiva. Dada a escala do País, pode dizer-se que a sua integração se processou com eficácia e mesmo com brevidade, não tendo dado origem a conflitos sociais significativos, ao contrário do que aconteceu em outros países com problemas semelhantes.
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