Revista de Portugal

Recuperando o nome e, até certo ponto, a ideia da revista fundada por Eça de Queirós no final do século XIX, a Revista de Portugal, dada à estampa em 1937, foi dirigida por Vitorino Nemésio e, inicialmente, secretariada por Alberto Serpa. Designa-se como "publicação exclusivamente literária e artística" e define, no n.° 1, a intenção de abrir as suas páginas a uma arte que manifeste a aspiração de "liberdade íntima, autenticidade na sua expressão, humanidade e beleza nos seus fins". Corroborando a independência que Vitorino Nemésio sempre proclamou para a literatura e propondo-se ser o ponto de encontro de várias tendências e gerações literárias, a Revista de Portugal acolherá simultaneamente textos de autores saudosistas, modernistas, presencistas e neorrealistas, através de rubricas de criação e teorização literária, recensão, biografia, história da literatura, crítica ou ensaio filosófico. Assumiu um papel cultural de relevo, pela revelação de inéditos (Herculano, Antero, Manuel Larangeira, Teófilo Braga, António Nobre, Fialho, Raul Brandão, Camilo Pessanha, etc.), pela divulgação de autores de língua portuguesa, nomeadamente dos modernistas, e pela difusão de literaturas estrangeiras, através de recensões e ensaios, nomeadamente da literatura brasileira (Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Cecília Meireles, Gilberto Freyre, Jorge de Lima, Manuel Bandeira, etc.), francesa (Cocteau, Proust, Valéry, etc.) e inglesa (Virginia Woolf, Aldous Huxley, D. H. Lawrence, etc.).
Como referenciar: Revista de Portugal in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-19 11:08:35]. Disponível na Internet: