Ricardo Rocha

Guitarrista e compositor português, José Ricardo Pinto da Rocha nasceu a 6 de agosto em 1974, em Lisboa. É considerado o melhor guitarrista da sua geração e um dos melhores de todos os tempos. Aprendeu a arte sobretudo com o seu avô, Fontes Rocha, um dos grandes guitarristas portugueses, que habitualmente acompanhava Amália Rodrigues.
Ricardo Rocha teve um percurso de menino-prodígio. Aos três anos já tocava cavaquinho e aos sete dedicava-se à guitarra portuguesa. Os seus mestres foram, além do avô, o guitarrista Carlos Gonçalves e Carlos Paredes. Com este último não conviveu, aprendeu apenas através dos seus discos. Estudou também piano, mas acabou por preferir a guitarra, embora seja um instrumento com o qual, segundo diz, tem uma relação de amor-ódio.
Aos 17 anos chegou a acompanhar Amália Rodrigues meia-dúzia de vezes, sempre como solução de recurso, para substituir um guitarrista subitamente indisponível. Mais tarde acompanhou muitos outros fadistas, com destaque para Carlos do Carmo, nos 40 anos da sua carreira; Mísia, no álbum Tanto Menos Tanto Mais (BMG, 1995); Jorge Fernando, em Rumo ao Sul (Movieplay, 1999) e Mafalda Arnauth, em Esta voz que me atravessa (Emi-VC, 2001). E também em alguns projetos exteriores ao fado, como é o caso de Fábula (Verve, 1996), da cantora de jazz Maria João, e de duas colaborações para Sérgio Godinho: os arranjos de O Carteiro, gravado no álbum Noites Passadas (Emi-VC, 1995) e de Fotos de Fogo, do álbum O Irmão do Meio (Emi-VC, 2003), com as vozes de Carlos do Carmo, Camané e do próprio Sérgio Godinho. Em 2005 gravou, para uma coletânea da FNAC, Saudade, dos Love & Rockets. Em 1995, o americano Todd Garfinkle, da editora MA, propôs-lhe a gravação de um álbum diferente. Nasceu assim Luz Destino (MA, 1996). Ricardo Rocha escolheu como cúmplices a fadista Maria Ana Bobone, o pianista/cravista mais habituado ao jazz e música erudita João Paulo Esteves da Silva e o contrabaixista Mário Franco. É um disco onde cruza as sonoridades da guitarra portuguesa e do fado com a música barroca. Inclui fados originais e clássicos, bem como alguns temas instrumentais e termina numa improvisação de Ricardo Rocha e João Paulo. A colaboração com Maria Ana Bobone revelou-se, de resto, a mais regular. Participou nos seus álbuns a solo Senhora da Lapa (MA, 1998) e Nome de Mar (Farol, 2006) e é a fadista que mais vezes acompanha em concertos.
Em 2000, participou no espetáculo As Guitarras do Fado, na Aula Magna, integrado no 1.º Festival das músicas e dos portos, juntamente com Paulo Parreira, Manuel Mendes, Mário Pacheco, Carlos Gonçalves e Fontes Rocha. O espetáculo ficou registado num CD duplo (Emi-VC, 2001). Ricardo Rocha acompanha o seu avô e interpreta a solo quatro temas da sua autoria: "Iniciação", "Teoria Falhada", "Fragmentação em Ornamento" e "Variações em Sol".
Apenas em 2003 lançou o seu primeiro álbum a solo, Voluptuária (V & A): um duplo gravado no Convento dos Capuchos. É acompanhado por João Paulo Esteves da Silva (cravo), Maria Balbi (violino) e Daniel Rowland (violino). Toca quatro temas de Carlos Paredes e outros quatro de Pedro Caldeira Cabral, as suas maiores referências. Todas as outras composições são da sua autoria. Leva a guitarra para os caminhos pouco habituais da música serial, prestando uma homenagem a um dos seus compositores preferidos, Alexander Scriabin (1872-1915).
Ricardo Rocha é considerado quase unanimemente um génio da guitarra portuguesa. O seu talento já foi reconhecido, em vários concertos em Portugal e no estrangeiro (apesar da sua aversão ao palco) e com prémios, entre os quais se destacam o de revelação da Casa da Imprensa e o Revelação Ribeiro da Fonte, em 2004.
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