Romanos

Originariamente, os Romanos são o resultado da fusão, a partir do século VIII a. C. de populações nativas das colinas de Roma (Palatino e Capitólio) e dos Latinos (do Lácio, ou Latio) e Sabinos (do norte da cidade de Roma). O elemento etrusco surgirá a partir do século VI, embora com reflexos mais importantes a nível cultural e artístico e não tanto étnico. O contacto com populações gregas da Magna Grécia (Itália Meridional) é também expressivo na génese do povo romano, numa dimensão idêntica à dos Etruscos. Com a expansão na fase final da Monarquia (séc. VI a. C.) e principalmente na República (509-27 a. C.) e depois no Império, o elemento étnico romano passará as fronteiras naturais do Lácio e colonizará grande parte da Península Itálica, mesclando-se com outras populações ou impondo a sua língua - o latim -, usos e costumes, próprios da Urbe. Fora da Itália, a difusão do povo romano será mais consistente e integradora no Mediterrâneo ocidental, diluindo-se para Norte e restringindo-se a pequenos núcleos ou guarnições na maior parte da região oriental do Império, ainda que existissem quistos de colonização romana importantes (em localidades das atuais Líbia, Argélia, Tunísia, Síria ou litoral da Croácia e na Roménia). Quando não exerciam formas de povoamento com colonos romanos, não deixava de existir uma forte circulação de romanos pelo Império graças às vias e caminhos.
A base etno-antropológica do povo romano é indo-europeia, inicialmente uma casta de guerreiros, possuidores de cavalos, que ocupavam uma vila fortificada e a terra à sua volta. Uma casta de domésticos e de palafreneiros, ao serviço dos guerreiros, habitava as planuras à volta da povoação amuralhada. Roma, com casas inicialmente construídas sobre estacas pelos Lígures, tinha à sua frente um pontifex maximus (título que se manteve), encarregado da manutenção das estacarias. Os Etruscos construíram depois uma vila com casas em pedra, numa cidadela no Capitólio. Os Sabinos chegaram a povoar também a região em torno da cidadela etrusca, tendo provavelmente havido miscigenação entre os grupos, incluindo os Latinos que por ali viviam também. No início da Monarquia, Roma tinha 100 famílias nobres, latinas e etruscas, donas de cavalos e terras. Cada um dos seus antigos epónimos (que dava o nome à família) foi então divinizado e passou a ser culto familiar (pater, pai). Os descendentes destes 100 patres eram os patrícios, a alta nobreza romana. Os patrícios que tinham um epónimo comum formavam uma gens com um mesmo nome (nomen gentilicium). Cada braço da gens formava uma família com a sua casa em Roma. O conjunto da gens possuía um domínio no campo onde eram criados os cavalos ou primitivamente viviam os plebeus. Inicialmente, apenas os patrícios tinham direitos cívicos (formavam o Senado e o corpo de magistrados). Relativamente aos plebeus (de plebs), estes eram originalmente os habitantes de aldeias rurais e pastoris, encarregados da exploração de um domínio gentílico. Os primeiros eram servidores palafreneiros vindos com os Italiotas no século XII a. C., depois, surgiram os Lígures dominados pelos Italiotas, plebeus que viviam já intramuros na fundação de Roma como domésticos ou clientes mas sem direitos cívicos. Em 578 a. C. Sérvio Túlio deu a cidadania aos plebeus mais ricos, com direitos iguais aos patrícios, mas sem acesso à magistratura. No século III a. C. surgem os "cavaleiros" (equites), plebeus ricos ou "burguesia mercantil" (politicamente, eram conhecidos como "homens novos", i.e., sem ancestrais). No Império, os plebeus pobres deixam de ser cidadãos livres, ficando ligados a um domínio público ou privado e sem poder alienar-se dele. Tornar-se-ão gradualmente em servos. Na base da pirâmide social romana, vinham os escravos, provenientes de tribos vencidas, sendo objetos do seu proprietário e podendo ser vendidos em mercados. Os mais fortes tornavam-se gladiadores. Os filhos dos escravos nasciam escravos também. No século III d. C., os escravos eram tão numerosos que a plebe estava dispensada de trabalhar, sendo-lhe fornecida géneros alimentícios e de uso essencial e bilhetes para o circo. Existiam também os libertos, escravos que alcançavam ou adquiriam a liberdade, ficando até à sua morte sob o patronato do seu antigo "mestre", mais os seus filhos. Essencialmente, pode falar-se na existência de três grandes grupos sociais no povo romano, abaixo do imperador: a ordem senatorial, ou clarissimi (patrícios antigos e descendentes de antigos magistrados); a ordem equestre ou perfectissimi (ricos latifundiários e homens de negócios); e as "gentes", os humiliores (artesãos que não podiam abandonar a sua arte).
O poder executivo estava nas mãos dos magistrados, eleitos anualmente pelo povo, enquanto que o legislativo e o controlo pertencia ao Senado (Senatus PopulusQue Romanus, o "Senado e o Povo de Roma", SPQR, na República). Existiam dois cônsules anuais como primeiros magistrados, que aí chegavam depois de serem questores (finanças), edis (administração municipal) e pretores (justiça); entre os antigos cônsules, existiam dois censores (classificavam os cidadãos de acordo com a sua riqueza). Existia também um tribuno da plebe (desde 493 a. C.), que defendia os não-nobres contra o patriciado.
Na Itália, assistiu-se à expansão do povo romano entre os séculos V e I a.C., dominando populações etruscas, italiotas e gaulesas, que eram depois organizadas segundo o modelo romano (municípios e colónias). Em 59 a.C., todos os que viviam a sul do Rubicão eram cidadãos romanos, estatuto que foi conferido também dez anos depois aos Gauleses que viviam a sul dos Alpes. Nas províncias, os habitantes destas podiam ter a cidadania depois de terem servido 25 anos no exército (emeritus) e em 212, Caracala, em édito, conferiu a cidadania a todos os habitantes do Império (aumentava assim a recolha de 20% de impostos sobre os bens de todos os cidadãos). Devido a este édito, os provinciais deixaram de servir no exército romano, cujas fileiras se engrossaram por isso com mercenários bárbaros.
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