São Cristóvão

A lenda ocidental diz que havia um rei pagão, em Canaã ou na Arábia, cuja mulher teve um filho devido a preces feitas a Nossa Senhora. O rei deu ao seu filho o nome de Offerus (Ofro, Adokimus ou Reprobus) e dedicou-o aos deuses Machmet e Apolo. Tornando-se com os anos num homem de tamanho e força extraordinários, Offerus resolveu servir o rei mais poderoso do mundo. Depois de seguir um poderoso rei e Satanás, abandonou-os por lhes faltarem a coragem dado que o primeiro se assustava com o nome do diabo e o segundo fugia perante a visão de uma simples Cruz na estrada. Por fim, encontrou um eremita que o aconselhou a oferecer a sua vida a Cristo, instruindo-o na fé e batizando-o. Não prometeu fazer jejum nem orar, mas aceitou a penitência de passar gente num rio, em nome de Deus. Um dia uma criança pede-lhe para a passar para a outra margem durante a noite e, à medida que ia avançando na corrente, a criança ficava cada vez mais pesada parecendo a Cristóvão que transportava o mundo inteiro aos ombros. A criança acaba por se lhe revelar como sendo o próprio Cristo, Criador e Redentor do mundo. Daí o seu nome, do grego christos pherein, que dá em latim Christophorus, "aquele que transporta Cristo".
Como prova da sua identidade, Cristo diz-lhe para enterrar no chão o seu bordão, que no dia seguinte cresceu como uma palmeira com frutos. Este milagre converteu muitas pessoas mas suscitou a ira do rei Dagno de Samos, na Lícia, que o mandou prender e decepar, depois de muitas torturas. Segundo a lenda, o rei Dagno, ferido por uma das setas destinadas a São Cristóvão de Lícia, curou-se com o sangue do santo, convertendo-se e permitindo a expansão do cristianismo. Esta lenda de origem grega, provavelmente do século VI, espalhou-se por toda a França a partir do século IX.
A existência do mártir São Cristóvão não pode ser negada e foi demonstrada a sua veracidade pelo jesuíta Nicholas Serarius, no seu tratado Litaneutici (Colónia, 1609), e por Molanus na sua história sobre as pintura sagradas, De picturis et imaginibus sacris (Louvain, 1570). Para além destas, existem outras provas do culto do santo, nomeadamente do enterro de São Remígio numa pequena igreja dedicada a São Cristóvão em 532, do facto de São Gregório o Grande, morto em 604, mencionar um mosteiro dedicado a São Cristóvão e do facto do Missal e do Breviário mocárabe atribuído a Santo Isidoro de Sevilha, que morreu em 636, conter um ofício especial em honra de São Cristóvão. Em 1386, no Tirol, foi fundada uma Irmandade sob o patronato de São Cristóvão, enquanto que na Saxónia e em Munique existia, em 1517, uma sociedade de temperança dedicada a São Cristóvão. O santo era ainda muito venerado em Veneza, mas margens do Danúbio, do Reno e de outros rios cujas frequentes cheias ocasionavam muitos estragos. A representação pictórica mais antiga do santo, um mosteiro do Monte Sinai, data da época de Justiniano (527-565). No Baden-Würtermberg e na Boémia foram cunhadas moedas com a sua efígie e as suas estátuas eram colocadas à porta das igrejas e junto a pontes e tinham frequentemente a inscrição de que quem tocasse na imagem de São Cristóvão não desmaiaria nem cairia nesse dia.
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