silepse

Figura de retórica (no grego sýllepsis significa "ação de reunir, de tomar em conjunto") em que se verifica uma ausência de concordância gramatical entre sintagmas mas que é substituída por uma concordância ao nível semântico. Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, a silepse referia-se originariamente apenas à ausência de concordância de número. Mais tarde passou a aplicar-se também a falta de concordância em género e pessoa. Seguem-se exemplos respetivamente de silepse de número, de género e de pessoa:

Silepse de número:

"- E o povo de Maravalha? Perguntava ele aos canoeiros. - Estão em S. Miguel."
(José Lins do Rego, Menino de Engenho. Rio de Janeiro: José Olympio: 63)

"Destarte o Mouro, atónito e torvado,
Toma sem tento as armas mui depressa; (...)
O Português o encontra denodado
Pelos peitos as lanças lhe atravessa;
Uns caem meios mortos, e outros vão
A ajuda convocando do Alcorão."
(Camões, Os Lusíadas, III, 50)

Silepse de género:

"Vossa Excelência parece magoado..."
(Carlos Drummond de Andrade, Cadeira de Balanço, Rio de Janeiro: José Olympio: 119)

Silepse de pessoa:

"Sós os quatro velhos – o desembargador com os três – fazíamos planos futuros."
(Machado de Assis, 1959, Obra Completa. Rio de Janeiro: Aguilar: I, 1.126)

A silpese é também considerada uma anomalia formal, como se pode verificar no exemplo seguinte:

Incorreto: "a maior parte deles foram" - Correto: "a maior parte deles foi"
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