Spike Lee

Realizador e argumentista norte-americano, Shelton Jackson Lee nasceu no dia 20 de março de 1957, em Atlanta. Filho de uma professora de música e de um músico de jazz, foram as obrigações profissionais de seu pai que obrigaram a família a mudar-se para o bairro de Brooklyn em Nova Iorque. As sucessivas brigas de rua em que se envolvia levaram a que os seus amigos lhe atribuíssem a alcunha de Spike. Aos 14 anos, por influências da sua avó paterna, regressou a Atlanta para matricular-se no Morehouse College, só frequentado por alunos de raça negra. Aí desenvolveu uma paixão pela fotografia e pelo cinema, tendo alcançado anos mais tarde uma bolsa de estudo no Tisch School of Arts da Universidade de Nova Iorque. Foi no âmbito de um curso de cinematografia que realizou a curta-metragem The Answer (1980), onde, de certa forma, critica o modo como apareceram representados os atores negros no épico mudo Birth of a Nation (O Nascimento Duma Nação, 1915) de D. W. Griffith. Seguiu-se outra curta-metragem, Sarah (1981) e Joe's Bed-Stuy Barbershop: We Cut Heads (1983), um filme de 45 minutos que recebeu diversos prémios em festivais independentes. A sua primeira longa-metragem foi She's Gotta Have It (1986), uma comédia protagonizada exclusivamente por atores amadores centrada na figura de uma mulher negra, avidamente disputada por três machões. Apesar de um precário orçamento de rodagem, o filme portou-se positivamente no circuito comercial. O êxito encorajou Lee a escrever e realizar School Daze (1988), uma crítica velada às irmandades universitárias e suas perversas tradições. O filme teve a participação quase exclusiva de atores negros, alguns em ascensão como Lawrence Fishburne e Samuel L. Jackson. Depois veio o seu filme mais emblemático Do the Right Thing (Não Dês Bronca, 1989), um retrato cruel da vida em Brooklyn expressa no antagonismo vivido entre o dono de uma pizzaria lucrativa (Danny Aiello, num desempenho nomeado para o Óscar de Melhor Ator Secundário) e a comunidade negra do bairro. O filme relançou o debate sobre as tensões raciais e Lee tornou-se uma das principais vozes a levantar-se contra a discriminação nos Estados Unidos. Em homenagem ao seu pai, realizou o musical Mo' Better Blues (1990), sobre o percurso de um trompetista de jazz, mas o filme foi mal recebido pela crítica que apenas louvou a prestação de Denzel Washington como protagonista. Como resposta, voltou a abordar a questão do preconceito, ao filmar Jungle Fever (A Febre da Selva, 1991), uma história de amor inter-racial entre um arquiteto negro (Wesley Snipes) e uma secretária branca (Annabella Sciorra). Tornou-se evidente que os filmes de Lee encerravam uma mensagem social e também política. Comprovou-o novamente com Malcolm X (1992), uma biografia do polémico ativista negro que proporcionou a Denzel Washington mais uma poderosa interpretação. Em seguida, Lee começou a acumular uma série de fracassos comerciais como Crooklyn (1994), Get on the Bus (1996) e He Got Game (1998), onde descreveu o mundo do basquetebol, sendo Lee um fanático fã dos New York Knicks. Um dos seus grandes êxitos foi Summer of Sam (Verão Escaldante, 1999), onde ilustrou uma história verídica de um assassino em série em finais da década de 70. Dos seus trabalhos posteriores - entre os quais se contam, por exemplo, The Original Kings of Comedy (2000), Bamboozled (2000) e Jim Brown All American (2002) - destaca-se o seu mais recente êxito, 25th Hour (A Última Hora, 2002), que, contando com a dramática interpretação de Edward Norton, descreve as 24 horas - plenas de dúvidas e reflexões sobre a vida - precedentes da prisão, por sete anos, de Monty Brogan, acusado de tráfico de droga.
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