Teixeira de Sousa

Médico e político, António Teixeira de Sousa é natural de Celeirós, Sabrosa, distrito de Vila Real, onde nasceu a 5 de maio de 1857. Faleceu a 5 de junho de 1917.
Começou os estudos liceais na sua sede de distrito em 1874, passando em 1877 para a Academia Politécnica do Porto, para efetuar os preparatórios de Medicina, curso em que se inscreveu no ano seguinte na Escola Médica do Porto, onde se distinguiu como aluno, ganhando até um prémio ("Macedo Pinto"). Começou logo no curso a escrever; como tese de licenciatura, apresentou um trabalho na área da cardiologia. Corria então o ano de 1883. O jovem clínico foi colocado então como médico municipal em Valpaços e, pouco tempo depois, nas termas de Pedras Salgadas, onde foi diretor-técnico até 1887, ano em que já era, entretanto, cirurgião-ajudante do Exército. Teve que abandonar esta carreira, mais tarde, devido à sua eleição como procurador à Junta Geral do seu distrito natal por Alijó. Nas Juntas Gerais, chegou mesmo a ser membro da comissão executiva. Manteve-se, porém, na medicina termal, em Pedras Salgadas e Vidago. Escreveu desde 1884 para o periódico Distrito de Vila Real, passando em 1892 para o Vilarealense, jornal ao serviço do Partido Regenerador, na altura liderado por Hintze Ribeiro.
Nas fileiras desse partido despontou para a política em 1889, quando pela primeira vez foi eleito deputado, então por Alijó, círculo que o elegeu para várias legislaturas, estivessem os regeneradores no poder ou na oposição. No ano de 1890 foi eleito segundo secretário da Câmara de Deputados e, entre 1894 e 1898, primeiro secretário. Entretanto, em 1894 foi nomeado governador civil de Bragança, distrito progressista e gerador de imensos problemas políticos. Com dureza mas sem "tocar" politicamente em ninguém, conseguiu inverter a tendência de voto do distrito, que "passou" claramente para os regeneradores. Esse esforço não evitou que em 1895 fosse afastado do cargo. Dois anos depois, envolveu-se em intensa luta parlamentar em defesa do seu partido, então liderado por João Franco, campanha que estendeu até 1899, pouco depois de conseguir a maioria, com Teixeira de Sousa a desempenhar tarefas de relator dos projetos que baixavam à Câmara de Deputados. Em 1900, como corolário de todo o seu esforço político, foi chamado por Hintze Ribeiro para o ministério da Marinha e Ultramar. Foi um ministro extremamente laborioso e ativo, apresentando uma série de projetos, sempre bem documentados e apoiados em pormenorizados estudos e relatórios, executando igualmente um sem número de portarias e decretos. Trabalhou afincadamente na regulamentação acerca dos funcionários e instituições governativas do Ultramar, na promoção de atividades produtivas (indústria transformadora de matérias-primas agrícolas, por exemplo) e na criação de estruturas, meios de comunicação e transporte nas colónias, para além de alguma reorganização administrativa (como a criação de distritos, como de Huíla, em Angola). Conseguiu reduzir, assim, o déficit orçamental do Ultramar, sempre dependente das finanças da metrópole. Trabalhou também no sentido de reforçar o comércio com o Ultramar. Na sequência da Guerra Anglo-Boer (1899-1902), Teixeira de Sousa procurou regular as relações políticas, comerciais e alfandegárias entre o Transvaal e Portugal, pois aquela região dependia das ligações de caminho de ferro com Moçambique para escoar os seus valiosos produtos agrícolas e minerais. Devido à sua formação médica, criou em 1902 o Hospital Colonial, em Lisboa, e o ensino de medicina tropical.
Da Marinha, transitou para a Fazenda, em 1903, por força de uma remodelação governamental, aí permanecendo até 1904, chegando nesse mandato a apresentar um programa orçamental ao Parlamento, que muitos consideraram de grande valia, principalmente nos setores alfandegário e fiscal. Avançou também com um plano de desenvolvimento do País, que fez baixar à Câmara de Deputados. Voltou à pasta da Fazenda em 1906, num governo de Hintze Ribeiro que durou apenas dois meses, dando lugar a um mandato de João Franco, que cairá em 1908, na sequência do regicídio. Neste mesmo ano, chegou a ser diretor-geral das alfândegas (ou administrador da Alfândega de Lisboa). Como titular da Fazenda, lutou pela resolução do problema dos Tabacos, assunto de carácter nacional, já que era a maior indústria do País, geradora de bons lucros e empregando centenas de operários. Também nesse período, mercê do falecimento em 1907 do líder regenerador, Hintze Ribeiro, Teixeira de Sousa concorre ao seu lugar no partido, a par de Júlio de Vilhena. Esta situação de luta pela liderança regeneradora dividiu o partido, criando fações, cada qual com as suas "personalidades" e apoios, alimentando um impasse e divisão que afetariam aquela formação política. Sensatamente, prevendo os problemas que resultariam da divisão, abandona a corrida e reconhece Júlio de Vilhena como seu líder.
Todavia, em 16 de janeiro de 1910, foi eleito líder do partido. No mês de julho deste ano, por queda do governo de Veiga Beirão, foi convidado a formar executivo, no qual ocupou a presidência e a pasta dos Estrangeiros. Foi, todavia, o último chefe de governo da Monarquia em Portugal, pois foi demitido em 5 de outubro de 1910, data de aclamação da República. Foi acusado por várias individualidades afetas ao anterior regime de ter sido um dos responsáveis pelo derrube da Monarquia. Em sua defesa, publicou Para a História da Revolução, obra em dois volumes, mais tarde reeditado pela Agência Geral das Colónias.
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