Thomas Bernhard

Escritor austríaco, Thomas Bernhard nasceu a 9 de fevereiro de 1931 em Heerlen, na Holanda.

Filho ilegítimo de um carpinteiro, a sua mãe havia, também ela, sido concebida fora do casamento, pelo que o apelido Bernhard passara já há duas gerações através da via materna. Com apenas um ano de idade, foi enviado para Viena, para junto dos cuidados do avô materno, Johannes Freumbichler.
Escritor pobre, orgulhoso, fortemente ateu e anti-clerical, foi, não obstante, vencedor de um prémio literário estatal de relevo em 1937. Thomas Bernhard foi grandemente influenciado pelo avô, que tomou por modelo.
Como a Áustria havia sido anexada pela Alemanha em 1934, no chamado Anschluss, Thomas Bernhard teve que aderir ao Jungvolk, a mocidade austríaca, no ano de 1939. Dois anos mais tarde, foi enviado para a Turíngia, para um centro de educação Nacional-Socialista, onde permaneceu cerca de um ano. Em 1943 deu ingresso num colégio interno, também ele de inspiração Nazi, situado em Salzburgo, cidade para onde a família se mudou definitivamente em 1946.

Em 1947 decidiu abandonar os seus estudos secundários, pelo que se tornou aprendiz de um merceeiro.
No ano seguinte, foi vítima de uma pleurisia que, mais tarde, se agravou em tuberculose. Foi internado no Sanatório de Grafenhof, onde teve conhecimento, através da secção necrológica dos jornais, da morte do seu avô em 1949 e da mãe no ano a seguir.
Durante a convalescença empreendeu as suas primeiras tentativas literárias, compondo poemas, e conheceu Hedwig Stavianicek, uma mulher mais velha, oriunda da aristocracia, e que veio a tornar-se não só sua mentora como também sua companheira para a vida.

A partir de 1952 passou a colaborar como jornalista independente no periódico socialista Demokratisches Volblatt, ao mesmo tempo que empreendia estudos de Música e Artes Dramáticas no Mozarteum de Salzburgo. Embora já tivesse publicado algumas compilações de poemas, e umas quantas peças de teatro, como Auf der Erde und in der Hölle (1957, Na Terra e no Inferno), In Hora Mortis (1958) e Die Rosen der Einöde, Fünf Sätze für Ballett, Stimmen und Orchester (1959), o seu reconhecimento deu-se somente após o aparecimento do seu primeiro romance, Frost (1963), galardoado como foi com diversos prémios literários. A cerimónia de atribuição de um deles, a do Prémio de Estado Para a Literatura, o mesmo galardão que havia sido concedido ao seu avô, ficou marcado por um incidente digno de nota. Thomas Bernhard escandalizou a opinião pública ao pronunciar um discurso que atacava frontalmente o estado e a cultura austríacos, pelo que o Ministro da Educação e todos os responsáveis pelo evento abandonaram a sala em que este decorria.

A dramaturgia de Thomas Bernhard foi-se revelando cada vez mais ofensiva, denotando as ligações do autor com o movimento de extrema-esquerda RAF, bem como um profundo ódio ao conservadorismo austríaco. Peças como Verstörung (1967, Perturbação), Die Macht der Gewonheit (1974, A Força do Hábito), Beton (1982, Betão), Der Untergeher (1983, O Náufrago) e Der Teathermacher (1984, O Fazedor de Teatro), provocaram reações não só na Áustria, onde a sua obra esteve perto de ser interdita, como em todos os países em que as tensões da Guerra Fria se faziam sentir.

Thomas Bernhard faleceu em Gmunden a 12 de fevereiro de 1989.
No seu testamento constava uma cláusula que proibia a difusão e representação das suas obras, qualquer que fosse a sua forma e estado, no território austríaco e por um período de cinquenta anos, por considerar que o panorama do seu país não era dos melhores e que, segundo a sua opinião, havia mais nacional-socialistas nessa altura do que durante a Segunda Guerra Mundial. A sua determinação foi anulada pelos herdeiros.
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