tiro

Antes de aparecerem as armas de fogo, o que só aconteceu por volta do ano 1300, o ato de tentar acertar em alvos era feito com arcos e flechas. As armas de fogo de início foram utilizadas apenas para fins bélicos e só depois para a caça desportiva.
O primeiro registo de uma competição de tiro data de 1477, na Baviera (na Alemanha), e o atirador estava a 200 metros do alvo. Um quadro suíço de 1504 retrata uma cena de uma competição de tiro ao alvo, com juízes a avaliar a precisão do disparo. Em museus alemães estão em exibição alvos de madeira que datam de 1540 e que eram utilizados em casamentos para entreter os convidados. Depois, o alvo era oferecido ao noivo como recordação daquele dia. No século XVI, o tiro ao alvo era já uma atividade muito popular na Europa, mas foi só no século XIX que este desporto se desenvolveu e se implementou definitivamente, tanto no Velho Continente como nos Estados Unidos da América. Em 1896, na primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, em Atenas, o tiro fez parte do calendário desportivo, muito por obra do seu mentor Pierre de Coubertin, ele próprio um excelente atirador. Nos primeiros jogos, os concursos eram destinados a carabinas e pistolas e havia provas de abate de veados, javalis e pombos. Atualmente, já não é permitido atirar em animais, tendo estes sido substituídos por alvos artificiais. Desde 1936, nos Jogos de Berlim, foram introduzidas progressivamente as categorias de pistola livre (a 50 metros do alvo), pistola de tiro rápido (25 metros), carabina de pequeno calibre (50 metros, a partir de posição deitada ou numa sequência de três posições: em pé, deitada ou de joelhos) e carabina de ar comprimido (10 metros). Para além do tiro ao alvo, passou haver, também, nos Jogos Olímpicos o tiro ao prato, que se divide em duas modalidades, o skeet, onde o prato é lançado ao ar alternadamente a partir de duas posições diferentes, e o fosso olímpico, no qual é lançado do solo em três ângulos possíveis, para o atirador não saber de onde vem. Homens e mulheres participaram em conjunto nas provas olímpicas e só em 1976, no Canadá, uma concorrente feminina conquistou finalmente uma medalha, a de prata, graças a uma boa prestação na prova de carabina de três posições. Entretanto, em 1984, em Los Angeles, foram criadas três provas destinadas só a mulheres, até que em 1992, em Barcelona, se deu a separação total. Todas estas alterações levaram a que nos Jogos de Sydney, no ano 2000, tivesse havido 17 provas de tiro, 10 para homens e 7 para mulheres. Portugal conquistou uma única medalha em provas de tiro nos Jogos Olímpicos e isso aconteceu em 1976, em Montreal, graças a Armando Marques. Sob intensa chuva, o atirador português foi segundo na prova de fosso olímpico, a apenas um ponto do vencedor, o norte-americano Haldeman. No ano seguinte, Armando Marques veio a sagrar-se vice-campeão mundial. Já no princípio do século XX, em 1907, havia nascido em Zurique, na Suíça, a União Internacional do Tiro, que viria a ser transformada na Federação Internacional de Tiro Desportivo a atual responsável pela organização dos Campeonatos do Mundo, que, contudo, já têm lugar desde 1897.
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