Transfigurações (1878-1882)

Coletânea de poesias que António Feijó considera representativas das "fases percorridas na evolução psicológica do seu espírito", inspiradas por "diversas crenças filosóficas, desde o pessimismo de Schopenhauer e Leopardi [...] até às doutrinas largamente proclamadas de Augusto Comte e Herbert Spencer", influências essas bem explícitas nas epígrafes das composições. A temática baudelairiana transparece na visão negativa da sociedade, dominada pelo Mal e pelo Vício, avessa ao Ideal, tal como surge em "Contemplações" (com epígrafes de Leopardi e Baudelaire) ou "A morte do ideal" (com epígrafe de Schopenhauer). À convicção da falência das religiões e das ciências na capacidade de dar resposta aos mistérios da existência, o sujeito poético contrapõe, em moldes românticos, a crença na capacidade visionária da arte, em "Esfinge eterna" ("a arte/ às regiões do Ideal é que há de arrebatar-te/ nos voos da intuição!..."). Tal crença coaduna-se com a exaltação épica do progresso (em "Ahasverus" ou "Sacerdos magnus", poema publicado pela primeira vez em Coimbra, em 1881) e da Humanidade ("Esboço de epopeia. O Homem"), influenciada por Vítor Hugo e Spencer.
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