Venezuela

Geografia
País da América do Sul. Situado no extremo Norte do continente, abrange uma área de 912 050 km2. Banhado pelo mar das Caraíbas, a norte, e pelo oceano Atlântico, a nordeste, faz fronteira com a Guiana, a leste, o Brasil, a sul, e a Colômbia, a oeste. As principais cidades são Caracas, a capital, com 1 719 600 habitantes (2004), Maracaíbo (1 910 200 hab.), Valencia (1 575 800 hab.), Barquisimeto (979 200 hab.) e Ciudad Guayana (856 100 hab.).
O país é atravessado, na parte noroeste, pela cordilheira de Merida, que tem uma direção nordeste-sudoeste. A secção terminal (plana) do Orenoco desenvolve-se na área central. O Sudeste da Venezuela é ocupado pelo maciço das Guianas.
Clima
O clima é tropical húmido, embora varie de acordo com a altitude.

Economia
A Venezuela tem uma economia que se baseia, principalmente, na exploração de petróleo, encontrando-se o país entre os dez maiores produtores mundiais. O petróleo e o gás natural constituem a maior fonte de receitas do país. Também existem importantes depósitos de carvão. A agricultura corresponde apenas a cerca de 4% do PIB, o que traduz a necessidade de o país importar vários produtos agrícolas. As culturas dominantes são a cana-de-açúcar, a banana, o milho, o arroz, o sorgo, a mandioca, o café e o cacau. A indústria extrativa abrange, essencialmente, o ferro, o bauxite, o alumínio, os diamantes e o ouro. Os produtos industriais são os metais de base, os bens alimentares, as bebidas, os produtos químicos, os têxteis, os derivados de papel e o tabaco. Os principais parceiros comerciais da Venezuela são os Estados Unidos da América, o Brasil, a Colômbia e o Japão.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 5,3.

População
A população era, em 2006, de 25 730 435 habitantes, o que corresponde a uma densidade de aproximadamente 27,82 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 18,71%o e 4,92%o. A esperança média de vida é de 74,54 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,755 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,767 (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 32 061 000 habitantes. As etnias dominantes são a mestiça (67%), a branca (21%), a negra (10%) e a índia (2%). A religião com maior expressão é a católica (935). A língua oficial é o castelhano.

História
Cristóvão Colombo chegou à Venezuela em 1498 e, em 1520, os espanhóis fixaram-se definitivamente no território. Em 1811, Simón Bolívar encabeçou uma rebelião contra a Espanha e, em 1830, o país conquistou a independência. Depois de um longo período de ditadura, o país adotou uma nova Constituição em 1961 e, três anos mais tarde, Rómulo Betancourt tornou-se o primeiro presidente a cumprir na integridade um mandato presidencial. Em 1964 foi sucedido por Raul Leoni e, em 1969, por Rafael Caldera. Este último presidente trouxe ao país a estabilidade política e económica, embora os raptos e os assassinatos continuassem a crescer. Em 1974, Carlos Andrés Pérez, do Partido de Ação Democrática (AD), subiu ao poder e fez aumentar a estabilidade nacional. Foi sucedido, em 1979, pelo líder do Partido Social Cristão (COPEI), Luis Herrera.
Com o aumento da instabilidade económica da Venezuela, as eleições gerais de 1984 foram contestadas por todos os partidos e pelos treze candidatos à presidência. Jaime Lusinchi, líder do AD, foi eleito e levou a cabo uma política económica austera e impopular. Tentou realizar um pacto social entre o Governo e as associações de comércio e negociou créditos bancários com o objetivo de diminuir a dívida pública. Mas, em 1988, a Venezuela suspendeu o pagamento da dívida externa, que tinha vindo a aumentar desde a queda dos preços do petróleo na década de 1970. Em fevereiro de 1989 subiu novamente ao poder Carlos Andrés Pérez que, imediatamente, instituiu o crescente aumento dos preços e outras medidas radicais, com o objetivo de satisfazer as imposições do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em resposta a estas medidas, a população provocou graves distúrbios que causaram a morte a cerca de trezentas pessoas. Nesse mesmo ano, em dezembro, houve novas eleições, mas foram boicotadas pelos partidos da oposição.
Ao longo de 1990 e de 1991, a insatisfação social foi crescendo e resultou em mais confrontos violentos. Em fevereiro de 1992, um grupo de oficiais militares tentou levar a cabo um golpe de Estado, mas as tropas fiéis ao presidente Andrés Pérez depressa o neutralizaram. Em novembro seguinte foi anulado um novo golpe. Em maio de 1993, Andrés Pérez viu o seu mandato suspenso, depois de o Supremo Tribunal anunciar que o presidente poderia estar envolvido em corrupção. As suspeitas foram confirmadas e, em maio de 1994, Pérez foi preso. José Velasquez foi nomeado presidente transitório e, em dezembro de 1993, as eleições presidenciais colocaram Rafael Caldera no poder.
Em 1995 a Venezuela atravessou uma crise financeira grave, mas, em 1996, um plano rigoroso desencadeou uma reviravolta neste país que tinha o maior rendimento por habitante da América Latina, e se viu ultrapassado pela Argentina, Uruguai, Chile e Brasil.
Três anos mais tarde, em fevereiro, Hugo Chávez, líder do segundo partido do país, tomou posse do cargo de Presidente da República, após vencer as eleições realizadas em dezembro do ano anterior. Instaurou uma série de alterações políticas, nomeadamente na Constituição. A crise económica e social que se tinha, entretanto, instalado no país levou a um golpe de Estado em 2002 que o destituiu do cargo. No entanto, ainda nesse ano, com o apoio do povo, retomaria o poder.
Como referenciar: Venezuela in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-09 05:28:11]. Disponível na Internet: