Werner Herzog

Realizador alemão, Werner Stipetic, de seu verdadeiro nome, nasceu a 5 de setembro de 1942, em Munique.

Apesar de ter nascido numa cidade, passou a sua infância numa aldeia da Baviera onde não havia energia elétrica nem telefones. Estudou História e Literatura, mas não chegou a concluir os cursos. Apaixonado pelo cinema, procurou reunir fundos para dirigir a sua primeira produção, tendo até chegado a trabalhar como soldador numa fábrica de aço. Em 1962, conseguiu filmar a sua primeira longa-metragem: Herakles, que passou completamente despercebida.

Em 1963, fundou a sua própria produtora e, após uma breve estadia nos EUA, onde trabalhou no departamento de aeronáutica da NASA, regressou à então República Federal da Alemanha para filmar para televisão. O primeiro filme a ter reconhecimento interno foi Auch Zwerge Haben Klein Angefangen (1971), uma insólita parábola sobre uma instituição correcional que acolhe anões.

A fama internacional não tardou: o filme histórico Aguirre, der Zorn Gottes (Aguirre, a Fúria dos Deuses, 1972) foi exibido em diversos festivais mundiais e marcou o início de uma frutífera parceria do realizador com o realizador Klaus Kinski que sempre manteve uma imagem de rebeldia e irascibilidade. Kinski encarnou a figura de um aventureiro que comanda uma expedição espanhola que atravessa o Amazonas em busca de um lendário tesouro índio. O sucesso do filme elevou o realizador aos píncaros da fama, sendo até comparado pelos críticos a realizadores clássicos com F. W. Murnau.

Prosseguiu com Jeder Für Sich Und Gott Gegen Alle (1974), um filme que ilustra a história verídica de Kaspar Hauser, um homem criado num orfanato sem afeto e que busca o conceito de Deus nos seres humanos.

Como realizador abstrato, Herzog gostava de cultivar a metáfora: em Stroszek (1977) criou uma inesquecível e inquietante cena final de dança de um grupo de galinhas. Esta película funcionou como uma acérrima crítica social em que marginais rejeitados pela sociedade consumista resolvem partir para os EUA onde se instalam numa reserva índia.

Foi criticado pela sua tentativa de recriar a obra-prima de Murnau no seu Nosferatu: Phantom der Nacht (Nosferatu, o Vampiro, 1979), rodeou-se de um elenco categorizado que reunia Kinski, Isabelle Adjani e Bruno Ganz, mas os resultados comerciais ficaram longe do esperado.

Em seguida, empenhou-se na execução daquela que viria a ser a sua obra-prima: Fitzcarraldo (1982), a história de um megalómano empreendimento de levar música clássica à selva amazónica através de um navio-salão. Os quinze meses de filmagens foram agravados por atrasos sucessivos nas rodagens, tempestades tropicais e discussões frequentes entre Herzog e Kinski, algo ressentido pelo facto de o realizador ter optado inicialmente pelo ator Jason Robards para o papel de protagonista. O filme valeu sobretudo pela sua magnífica fotografia e pelo bom trabalho de atores como Claudia Cardinale, José Lewgoy e Grande Otelo.

A sua filmografia posterior inclui títulos como Cobra Verde (1988) e Pilgrimage (2001). Em 2003, o realizador dirigiu o documentário Rad der Zeit (A Roda do Tempo), um documento onde Herzog percorre a Índia, os seus fundamentos religiosos e os símbolos das peregrinações, do Ganges e do Tibete. No ano seguinte, o realizador dirigiu novo documentário, uma peça sobre o mito da criatura do lago Ness, na Escócia.


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