Vintismo

Para muitos considerado uma "regeneração perdida", o vintismo foi uma tentativa liberal de recuperar as liberdades perdidas sob os desmandos e desgovernos dos absolutistas, despóticos e intransigentes no seu anti-liberalismo. As invasões francesas e a ulterior "proteção" britânica, mais um protetorado que uma ajuda, ditaram a eclosão da revolta de 1820, no Porto.
O vintismo despontou como uma energia política renovadora da sociedade portuguesa, mergulhada num caos político, com uma corte afastada da metrópole e exaurindo o erário nacional, com o país mergulhado numa crise profunda e sem uma orientação política clara. Depois da revolta do Porto, logo outra estalou em Lisboa a 15 de setembro, a qual abriu caminho à instalação das Juntas ("Junta Provisional Preparatória das Cortes"), na capital, e depois ao primeiro projeto constitucional, dito da Academia das Ciências (21 de outubro). A 11 de novembro estala a Martinhada. Em dezembro realizavam-se as primeiras eleições de deputados. Apesar das resistências culturais e mentais da população portuguesa, em grande parte defensora do absolutismo, ou pelo menos sem orientação liberal clara, o projeto do vintismo continuava, agora alicerçado numa relativa posição de força das Cortes constituintes, que nomeiam regência para o Reino e apoiam as tentativas de governo constitucional. A 4 de julho de 1821, regressava ao reino el-Rei D. João VI, o qual viria a nomear a 7 de setembro o segundo governo constitucional e depois a assinar, já em setembro de 1822, a Consituição, a qual juraria a 1 de outubro, perante a recusa da rainha D. Carlota Joaquina. A Constituição de 1822 foi uma das vitórias políticas do Vintismo, apesar da crescente contestação dos setores absolutista do Reino, que se agitavam cada vez mais. 1823 começaria neste clima de agitação política, de gradual reação dos conservadores absolutistas (ou "legitimistas"), os quais viriam em maio e junho desse ano a desencadear o golpe que acabaria com o vintismo, a Vila-Francada, uma revolta que surgiu na sequência da reposição em Espanha do regime absolutista.
O fim do vintismo como primeiro momento do liberalismo institucional em Portugal consumou-se na última reunião das Cortes vintistas a 2 de junho de 1823. A Constituição foi logo abolida por D. Miguel, restabelecendo-se o regime absolutista.
O vintismo conheceu várias fações no seu seio, uns com ideias mas sem o país (os "Jacobinos", radicais), outros com o país mas sem ideias (os "tradicionalistas", moderados) como dizia Oliveira Martins. O grande confronto interno do vintismo seria a Martinhada, a 11 de novembro de 1820, dia de S. Martinho, entre grupos mais conservadores do exército e da sociedade civil e grupos mais moderados, que acabariam por vencer o conflito.
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