A Costa dos Murmúrios
Situado durante a guerra colonial, interroga, a partir da reflexão sobre uma narrativa, intitulada "Os Gafanhotos", os modos de busca da verdade histórica e, consequentemente, da verdade romanesca: "Definitivamente, a verdade não é o real, ainda que gémeos, e n' Os Gafanhotos só a verdade interessa. [...]
A verdade deve estar unida e ser infragmentada, enquanto o real pode ser - tem de ser porque senão explodiria - disperso e irrelevante, escorregando, como sabe, literalmente para lugar nenhum" (p. 85). Nesse interrogar sobre os sentidos da História e da história, avulta um conceito de tempo na história contemporânea, composto de tempos diferentes, que relativizam todos os tempos, procura dos "músculos invisíveis" que "podem ter um desempenho especial na organização dos factos históricos".
O Condestável tê-lo-ia feito, o Fundador muito pior [...]". Da oposição simbólica dos espaços, à lógica de identidade e dissemelhança que funda a funcionalidade dos pares e dos triângulos (amorosos) de personagens, nada é escamoteado, mas confirma uma escrita poderosa na renovação contemporânea dos processos narrativos.
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