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A Etnização do Islão
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A prefiguração da coexistência de vários povos de origens e religiões diferentes no seio do Império Muçulmano já se manifestara durante os últimos anos da vida do profeta Maomé, que conseguiu reunir um grande número de tribos de camponeses beduínos e grupos de cristãos da Arábia. Após a morte do profeta, as tribos de beduínos puseram em prática entre si movimentos de secessão. Mas através de Abu Bakr a unidade do Islão foi restabelecida e, assim, puderam confirmar a sua supremacia, tendo sido os obreiros dos ataques quer ao Império Bizantino, quer ao Império Sassânida.

O Islão, para além de uma religião, é, num plano mais geral, o seguimento de uma lei que determina um conjunto de regras sociais e de prescrições culturais. A sua influência contribuiu para se criar um sentido de unidade da comunidade através da unificação das atitudes individuais. Inevitavelmente, deu origem ao conceito de comunidade internamente coesa pautada pela ação solidária, apesar de todas as divisões que se verificaram no decorrer da História e que deram origem às diversas seitas. A máxima expressão deste conceito e da união entre os membros pertencentes ao Islão é a legitimidade da Guerra Santa - Jihâd - como forma de expansão da religião e de formação de Estados e Impérios que cobriram grandes territórios. Este inexorável desenvolvimento acabou por colocar em causa a própria evolução do Islão devido a dificuldades socioculturais criadas no seio de uma religião específica e que se fizeram sentir mais fortemente na organização política.
O mundo islâmico nascera de uma amálgama de povos com passados extremamente variados e que foram colocados sob um mesmo governo. Obviamente esta condicionante esteve na origem de frequentes manifestações das tendências de secessão por parte de alguns grupos. Percebem-se assim facilmente as grandes mutações político-sociais que afetaram os povos islâmicos e que ainda marcam as suas vivências.

Depois dos pequenos impérios unitários que surgiram das primeiras conquistas surgem impérios de média dimensão, que evoluíram variavelmente consoante o seu desempenho político ou económico. Para além das diferenças próprias de cada grupo, foram introduzidos elementos de aculturação, quer através da adoção pacífica de novos elementos, quer através de grandes vagas de invasões, principalmente provenientes das estepes asiáticas e dos desertos africanos. A invasão dos turcos transformaria o Império Abássida e a sua ascensão traria uma indelével marca à sociedade islâmica, devido ao contacto com novos hábitos culturais.

Depois de uma primeira fase de expansão, ocorreu um período bastante agitado de lutas pelo poder entre diferentes clãs árabes. A vitória dos Omíadas, em 660, correspondeu ao sucesso de uma fação da aristocracia de Meca e à transformação de um estado teocrático num estado secular. Inicia-se então o segundo período de expansão em territórios da Ásia Menor e Constantinopla, Norte de África, Hispânia, Ásia Central e Índia, aliando o fator religioso ao fator político.

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Como referenciar
A Etnização do Islão na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$a-etnizacao-do-islao [visualizado em 2026-06-09 22:06:27].
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