A Nova Europa da Alta Idade Média
A Nova Europa da Alta Idade Média desenhou-se com a assinatura do tratado de Verdun em 843. Este tratado decorre da necessidade de afirmação da autoridade e da recusa de obediência de Luís, o Germânico, e Carlos, o Calvo, face à ambição da coroa do império carolíngio e consequentemente do seu território por parte de Lotário, seu irmão. A revolta dos dois irmão saldou-se na vitória favorável em Fontenay, provocando a expulsão de Lotário de Aix-la-Chapelle, a cidade imperial. Assim, os intervenientes neste tratado foram os filhos de Luís, o Piedoso: o imperador Lotário, Luís, o Germânico, e Carlos, o Calvo. Foi através dele que se partilhou a Europa carolíngia. Assim, Lotário ficou com a Itália, o Sul da antiga Gália, e um território a norte dos Alpes até à Frísia, compreendido entre o Ródano, o Sone, o Mosa e o Escalda, a ocidente, e, a oriente, entre os Alpes e o Reno. Este território passou a designar-se Lotaríngia. A Luís, o Germânico, coube a Germânia a leste do Reno, comportando todas as terras da Baviera ao Saxe e incluindo ainda Mogúncia, Spire e Worms.
O último dos irmãos obteve a maior parte da França atual, cujo território se estende a partir da Flandres até à Catalunha, com fronteiras determinadas a oeste pelos rios Escalda, Mosa, Sone e Ródano que se manteriam até ao século XIV. Após a morte do Imperador Lotário (855), a Lotaríngia foi motivo de disputa pela sua posse entre os irmãos, partilhada entre os dois através do tratado de Mersen, firmado em 870.
Apesar da divisão do imenso território que fazia parte do império carolíngio, os irmãos esforçaram-se por levar a cabo uma política comum. A dissolução e fragmentação acabaria por ocorrer provocando uma pulverização de senhorios cada vez menores e mais enfraquecidos até 911. O panorama desfavorável à manutenção de uma unidade europeia teve as suas causas mais imediatas nas vagas de invasões, como foi o caso dos Muçulmanos, que tomaram conta de quase todo o Mediterrâneo, ou o caso dos Escandinavos e dos Húngaros, que surgem no horizonte da Europa cristã como prenúncio de ameaças que se tornariam devastadoras.
A tentativa de salvar um império é posta em prática com o período otoniano (936-1002). A recuperação inicia-se em 955, quando Otão I derrota os Magiares na batalha de Lech. O desenvolvimento económico e demográfico que se verificou neste período preparou a Europa para entrar na Idade Média plena. Cessaram as invasões e conquistaram-se novas terras para a agricultura através do desbravamento de florestas, do desenvolvimento planeado proporcionado pelos mosteiros e senhorios e pela migração dos povoadores.
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