Adolescente Agrilhoado
A edição de 1958 de Adolescente Agrilhoado, da autoria de José Marmelo e Silva, próxima da primeira edição, mantém-se fiel a uma estruturação do texto enquanto espaço de confluência do legado presencista e neorrealista, num estilo peculiar que não rejeita a intervenção do narrador no agenciamento da ação.
Em diálogo textual com outros romances que têm como temática a adolescência e, mais concretamente, a experiência do jovem seminarista perspetivada num molde de denúncia da repressão sexual, da moral hipócrita e deficiente assimilação da mensagem evangélica que caracterizavam a vida no seminário, tem como protagonista o jovem Luís Miguel que, depois de ter sido expulso do seminário, se sente excluído simultaneamente do universo aldeão a que volta e do círculo das classes promovidas cultural e economicamente.
A mestria narrativa do autor é demonstrada na construção ficcional pelo modo como as personagens "valem [...] muito menos como agentes do que como participantes indiciais da atmosfera de busca desorientada e insaciada" que em torno de Luís Miguel se cria: "romance de personagem, Adolescente Agrilhoado remete as figuras colaterais para significados parcelares da sua problemática fundamental de personagem única, que assim valorizam, na determinação exclusiva que elas fazem da ação, nada mais que seu percurso". (Seixo, Maria Alzira - "Figurações da Noite e do Dia" - Adolescente Agrilhoado de José Marmelo e Silva, prefácio à 4.a edição, Lisboa, 1987, p. 18).
Conjugando a visão interiorizada do mundo de Luís Miguel com a sua inclusão num universo mais lato, o romance equaciona em termos subjetivos uma mensagem social que, à medida que o adolescente se transforma em adulto, o dota, como o Adriano de Cerromaior, de uma missão de apóstolo da libertação: "Cada rosto que o saudava, como se os olhos falassem, parecia dirigir-lhe um incitamento que ia além dos meros limites individuais: "Tu és de ano para ano a encarnação viva da nossa fé. [...] Tu porás termo ao nosso doloroso cansaço de humildade.
Em ti, legitimamente, a nossa esperança de libertação.
-
LisboaAspetos geográficos Cidade, capital de Portugal, sede de distrito e de concelho. Localiza-se na Regi...
-
MariaNascida cerca do ano 15 a. C., provavelmente em Jersusálem, pouco se sabe sobre a sua ascendência. P...
-
O BarãoObra de Branquinho da Fonseca, publicada em 1942, que manifesta, segundo David Mourão-Ferreira (cf.
-
Cultura de BadariA designada "cultura de Badari" é tida como uma das primeiras manifestações da cultura egípcia na ép
-
Autorretrato (Bocage)(AUTORRETRATO) Magro, de olhos azuis, carão moreno, Bem servido de pés, meão na altura, Triste de fa
-
Novas BailatasVolume póstumo, em cujo prefácio Luís de Magalhães chama a atenção para o "misto singular de ironia
-
Auto dos DanadosGrande Prémio do Romance e da Novela da Associação Portuguesa de Escritores, Auto dos Danados (1985)
-
Terra e AzulVolume póstumo de Manuel Duarte de Almeida prefaciado por Ricardo Jorge, que inclui muitas poesias d
-
BailatasColetânea de poesias, publicada em 1907, sob o pseudónimo de Inácio de Abreu e Lima, nome com que An
-
Aventuras de João Sem MedoEscrito em 1933 por José Gomes Ferreira, em 26 folhetins, para uma gazeta juvenil, O Senhor Doutor,